quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

É pelo sonho que vamos!

Esse grande poeta que foi Sebastião da Gama escreveu um dia que é pelo sonho que vamos. Sim, é por ele que seguimos. Também para António Gedeão é o sonho que comanda a vida e quando um homem sonha o mundo avança. Quantas vezes não alcançamos muito além daquilo que sonhamos? Tantas e tantas vezes, mas por pequeno que tivesse sido tivemos a capacidade de sonhar, de acreditar que o sonho poderia ser real e fomos por ele.
Os tempos que vivemos e aqueles que se aproximam não nos podem tirar a vontade de acreditar, de sonhar que é possível mudar. Baixar os braços, desacreditar ou deixar-se ficar à mercê dos sonhos dos outros é uma rendição sem honra ou glória.
Temos de acreditar que é possível mudar e geralmente quem acredita e procura, encontra. Pode ser pelo sonho que leva ás acções, mas quem sonha acredita e quem acredita, consegue!
Os sonhos dão-nos força, alento e vontade de continuar, de não baixar os braços e desistir. Não devemos ter medo de sonhar. O que sonhamos e se nos é destinado ou devido ás nossas mãos virá parar. Vamos pelo sonho!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A aposta nas cidades

Publico aqui um texto de José Carlos Mota, do Movimento Cívico "Cidades Pela Retoma" e que teve a amabilidade de partilhar no forum de discussão.

"A complexidade do momento em que vivemos e as dificuldades que temos de enfrentar exigem que nos distanciemos um pouco da agenda actual de discussão (centrada excessivamente na discussão da dívida) e que enquadremos a reflexão numa visão holística que problematize futuros possíveis e caminhos e passos necessários para os atingir.

Nesse particular, a União Europeia, no meio da turbulência conhecida, tem vindo a discutir uma agenda europeia para o crescimento - 'Europa 2020' (http://ec.europa.eu/europe2020/index_pt.htm), documento que tem sido objecto de amplo debate na maior parte dos países europeus.

Estranhamente, esta matéria não tem tido qualquer relevância em Portugal quer na agenda de debate político, quer mediático, algo difícil de perceber atendendo à importância das opções que aí se discutem para o futuro do país e para eventuais apoios financeiros europeus para o período 2013-2020.

Das várias questões que a agenda ‘Europa 2020’ aborda emerge a importância da aposta em políticas de desenvolvimento de base territorial, com particular enfoque para o papel das cidades, ideia corroborada no evento OpenDays 2011 (http://ec.europa.eu/regional_policy/conferences/od2011/index.cfm) e na recente reunião da Presidência Polaca da EU (http://www.mrr.gov.pl/english/Presidency/Main/Strony/Future_of_Cohesion_Policy_the_future_of_Europe_conferences_in_Poznan.aspx).

Vários países europeus estão a preparar este enfoque nas cidades com particular cuidado. Por exemplo, esta semana, o Reino Unido lançou um documento designado ‘Unlocking growth in cities’ onde se reconhece o papel das cidades como motores de crescimento económico e, ao mesmo tempo, se exige um novo papel do poder local para uma resposta qualificada aos desafios em presença (http://www.communities.gov.uk/publications/regeneration/growthcities).

Em Portugal são contraditórios os sinais sobre o reconhecimento do papel e potencial das cidades (e da governança local) na resposta aos desafios que o país enfrenta.

Por um lado, os poderes públicos nacionais reconhecem a sua importância, pois têm em execução um plano de investimento de mil milhões de euros através do instrumento ‘Parcerias para a Regeneração Urbana’ http://politicadecidades.dgotdu.pt/). Por outro, os agentes económicos alertam para o seu papel fundamental na atracção do investimento directo estrangeiro (ver estudo recente da consultora Ernst & Young ‘Portuguese Attractiveness Survey 2011' http://www.greensavers.pt/2011/12/11/portugal-tem-de-apostar-nas-cidades-para-atrair-mais-investimento-directo-estrangeiro/). Por último, a sociedade civil tem-se vindo a organizar para reflectir e sugerir caminhos alternativos (o movimento ‘Cidades pela Retoma’ tem feito várias sugestões nesse sentido - http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/).

Contudo, ao mesmo tempo, existem sinais preocupantes. Por um lado, a orgânica governativa não reconhece a relevância da matéria, tendo deixado de haver uma referência explícita à tutela das cidades, encontrando-se esta diluída num ‘mega ministério’ que conta com a agricultura, o mar, o ambiente e o ordenamento do território. Por outro, o debate sobre o futuro do poder local, onde se deveria discutir os desafios da governança local e o papel crescente das cidades (http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Documentos/MAAP/Doc_Verde_Ref_Adm_Local.pdf) ignora a maior parte destas questões centrando a sua energia em propostas de nova geometria e a geografia das freguesias. Por último, e talvez o dado mais relevante, existe o receio do investimento público da Política de Cidades (mil milhões de euros, insisto) não estar a ser devidamente aplicado e poder ser, uma vez mais, dirigido para apoiar a construção de infra-estruturas e não para dotar as cidades das ‘qualidades imateriais’ necessárias aos desafios do futuro.

Como se pode constatar Portugal tem neste tema das cidades uma oportunidade relevante para encontrar alguns caminhos para construir uma narrativa diferente para o seu futuro. Como em tantas outras situações o que irá fazer a diferença entre as boas intenções e a sua concretização é a arte que tivermos para alinhar esforços, dinâmicas e vontades. Espera-se dos poderes públicos (nacionais e locais) que liderem este caminho com uma postura colaborativa, sólida e credível, mobilizado os múltiplos saberes científicos, empreendedores, produtivos e cívicos em torno deste desígnio nacional – a aposta nas cidades como motoras do desenvolvimento e crescimento."


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Anuário Estatístico do Alentejo 2010 - Despesas em Cultura e Desporto

Foi publicado o Anuário Estatístico do Alentejo, referente ao ano de 2010, e de entre os muitos dados ali expostos centremo-nos na análise do Quadro “Indicadores da Cultura e Deporto por município, 2010”, nomeadamente nas despesas das câmara municipais em actividades culturais e de desporto por habitante.  Das principais conclusões que daquele quadro se podem retirar, naquilo que ao município de Estremoz diz respeito, ficamos a saber que  gasta  61,6 euros por habitante (48,8€ em corrente e 12,8€ em capital), sendo que só o município de Mourão (42,6 €/habitante) investe menos nestas áreas, do conjunto dos 14 municípios do Alentejo Central. O município que mais investe é o de Viana do Alentejo, com um total de 542,8€/habitante. Em termos de “classificação” geral temos assim que Viana do Alentejo é o campeão do investimento, enquanto Estremoz é o 13.º em 14.
Em termos de percentagem de investimento em cultura e desporto relativamente ao total da despesa do município, segue-se o mesmo esquema que o anteriormente citado, e Estremoz que gasta 5,5% é o 13.º município, sendo Mourão o último e Viana do Alentejo (43,9%)  aquele que maior percentagem investe nesta áreas.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A reforma do País

Somos daqueles que há alguns anos considera que o país precisa de uma reforma administrativa. A evolução tecnológica, a melhoria da rede viária e as novas formas de gestão levam a que um novo modelo administrativo e de organização territorial seja definido de forma a que possamos ganhar escala nas decisões e uma eficiente melhoria na resolução dos problemas das populações.
Depois de alguns anos com assunto ser “discutido”, ou pelos menos a ser lembrado, em algumas reuniões políticas do partido que suportava o anterior Governo, com defensores e adversários de uma reforma territorial e administrativa, o actual Governo parece querer seguir em frente com esta ideia.
O municipalismo pós 25 de Abril de 1974 tem tido um papel importantíssimo na melhoria da qualidade de vida dos portugueses, como é reconhecido por toda a gente, mas torna-se evidente a necessidade de um novo modelo.
Mas esta reforma não poderá ser encarada como uma “cartada” política num momento de grave crise financeira, nem devendo só ser encarada como uma melhoria na eficácia  e eficiência na aplicação de recursos públicos, ela terá de ser uma reforma organizacional e estrutural do país.
Não temos um modelo definido de organização territorial, e pensamos que com os novos tempos e a evolução que o país sofreu ao longo destes anos de democracia, um bom inicio para uma eficiente reforma poderá passar pela união de freguesias e municípios, não pela sua extinção. Pensamos no entanto que tal passo deverá ser objecto de discussão na sociedade, dando assim um grande contributo para a consolidação da democracia e para que esta reforma seja compreendida e não imposta.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A oposição

Quando a oposição anda á deriva, seja num governo nacional seja local, todos fazem, oposição e governação, um mau mandato. Quem governa corre o risco de amolecer e quanto mais activa for a oposição, tendo uma postura séria e não de política de bota abaixo, mais quem governa afina a sua “imaginação” na governação, ganhado essencialmente a democracia e os cidadãos.
Uma oposição fraca, além de não espicaçar o governo, não se consegue definir como alternativa a esse mesmo governo e atingir o seu grande objectivo que é governar.
Quando falta uma oposição que tenha um verdadeiro projecto alternativo para oferecer aos cidadãos, em última instância são estes que perdem, por falta de debate e de políticas alternativas.
Não há oposição que consiga chegar ao governo se não plantar as sementes de uma alternativa e de novas políticas muito antes do período eleitoral.
Sem o incansável trabalho de fundo de divulgação de ideias da oposição, dificilmente se derrota que está no poder, a não ser por grande desgaste deste. Quando a oposição chega ao poder muitas das medidas que pode vir a tomar deixam de ser consideradas radicais se anteriormente já houve uma preparação. Acima de tudo a oposição terá de chegar ao poder pela batalha das ideias, mesmo se tiverem um custo elevado nos primeiros momentos, mas tem de ter ideias, não pode ter medo de as ter e de as apresentar.

domingo, 31 de julho de 2011

Notas soltas de Manuel Castells

[Notas soltas sobre intervenção de Manuel Castells, 15 de Abril, Univ. México, "Comunicação e Poder".

Retirado de:  http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/57568.html
Castells dixit

Sobre o poder

"Quem está no poder tem a capacidade de organizar as forças directoras em torno das suas ideias. Onde há poder, há sempre contra-poder! Onde há dominação, há resistência (dinâmica social). As instituições da sociedade são uma mescla dessas relações (compromissos e negociações entre actores) e assim determinam as nossas vidas".
"A informação e comunicação foram sempre fonte de poder e contra-poder, de domínio e de mudança. O controlo da comunicação e informação é um espaço essencial quando se formam relações de poder".
"Os processos de construção mental desenvolvem-se à volta das emoções (que determinam nossos comportamentos) ".
"As redes de construção poder (complexas e multidimensionais) condicionam os outros poderes (regulando-os ou não); usam a capacidade de levar o sistema para onde os interesses dominantes querem".

Sobre comunicação

"Os meios de comunicação são o espaço onde se forma o poder".
"Mais do que ser actor do poder, é importante definir as regras onde se cria o poder".
"Os diferentes papeis do media: os jornais organizam e estruturam o conteúdo; a TV simplifica a mensagem; e a rádio organiza o diálogo personalizado".
"Toda a política é mediática; toda a mensagem que não existe em torno da comunicação, simplesmente não existe politicamente; a conversação intelectual, pessoal ou política, que não é socializada não tem poder".
"O objectivo central da comunicação é ganhar audiência (negócio, influência política, melhores condições, …), mesmo que seja em nichos específicos relativamente pequenos".
"As populações não lêem à procura de informação, mas procuram antes a confirmação da sua opinião (por isso tendem a escolher as opiniões com que se identificam)".
"As mensagens mediáticas são as mais simples possíveis - uma pessoa, um rosto humano (a principal mensagem); os programas não interessam; a confiança não se gera pelo programa, os titulares ou os partidos; dirige-se a algo, a alguém em concreto que inspira a confiança; a confiança é uma espécie de cheque em branco; como se sabe que não se pode exercer qualquer controlo até às próximas eleições, escolhem-se os menos maus"
"Neste quadro, a forma de luta política mais eficaz é a destruição da pessoa (‘política de escândalos’) criando, manipulando ou filtrando algo que destrua o principal valor da pessoa: a credibilidade/confiança que gera"
"Existe uma ideia que os políticos são todos iguais (corrupção, mentiras); A corrupção e os escândalos geram uma crise legitimidade (perda de confiança no sistema político); 70% das pessoas dizem que não estão governados pelos legítimos governantes; o impacto que isto gera é a crise do sistema político, agravada por uma crise económica simultânea"
"A difusão da internet criou um novo contexto de informação que mudou tudo; em 1996 40 milhões, em 2011 cerca de 2 mil milhões de utentes; o número de n.ºs de telemóvel em 1991 era de 16 milhões, hoje são 5 mil milhões"
"Assiste-se a uma des-intermediação dos meios de comunicação de massas, que deixaram de controlar a comunicação".
"Apareceu uma auto-comunicação de massas – onde cada procura informação, gera mensagens, que difunde nas suas redes; a autonomia comunicativa tem uma enorme influência nos movimentos sociais".

Sobre movimentos sociais

"Os movimentos sociais são os que tentam mudar os valores da sociedade (‘quadros mentais’), não os que tentam mudar o poder político; podem fazê-lo, mas só num segundo momento"
"As mudanças mais importantes são as de mentalidades; a comunicação pode ser importante para essa mudança".
"Os movimentos sociais que questionam o poder e a estrutura do Estado encontram na internet e nas comunicações móveis o seu espaço, para a auto-organização, criando redes de solidariedade e de debate, sem relação com os partidos tradicionais".
"Os movimentos sociais partem de causas profundas, relacionadas com os valores da sociedade; utilizam a auto-comunicação, baseada em redes relacionais de confiança (redes de contactos telemóvel ou email), que são mensagens de confiança (redes de pequenos mundos)".
"Os graus de liberdade do contra-poder aumentaram exponencialmente".
"A utopia libertária não depende da internet, ela só a amplifica".
"Contra o que os media dizem, a sociabilidade dentro e fora da rede é cumulativa; quanto maior a sociabilidade pessoal, maior a sociabilidade internet; e o inverso também é verdade".
"Os jovens não lêem periódicos em papel, mas lêem-nos na internet, seleccionando os temas que lhes interessam; os jovens estão mais informados do que se diz".

Mais informação:

domingo, 24 de julho de 2011

Pensar a militância

Está eleito o novo secretário-geral do Partido Socialista tendo a escolha da maioria dos militantes que votou recaído em António José Seguro, o desfecho era esperado e não causa grande surpresa.
O preocupante nestas eleições foi o número de votantes, cerca de 35 mil, que correspondem grosso modo a 30% dos militantes do PS. Quando em causa estava a eleição do secretário-geral do maior partido da oposição, num acto em que não havia lista única, votarem somente 30 % dos 116 mil militantes do partido, o que deve ser motivo de reflexão.
Numa eleição em que o PS procura um novo caminho depois de 6 anos de governo os militantes alhearam-se deste acto? Os militantes estão insatisfeitos com a forma de actuação do PS e afastaram-se da militância? Poderíamos continuar a colocar uma série de questões e a todas elas poderíamos ir buscar uma resposta para as interrogações ou para o “ses” de tão baixa participação.
A real resposta pode ser muito mais profunda que a desilusão de uns quantos e o afastamento de meia dúzia. E significa que na realidade os militantes efectivos do Partido Socialista não são hoje os 116 mil que constam dos documentos oficiais. Este assunto daria pano para mangas, ou seja uma discussão interminável, pelo que há a necessidade urgente, sob pena de nos deixarmos embriagar por novos desafios, de rever todo o processo de adesão e de manutenção de militantes.
Tal como em todo as secções do País, Estremoz não foi excepção, votaram 25,83% dos militantes inscritos.

domingo, 3 de julho de 2011

Discussão não é traição

Discussão e traição, embora com fonia semelhante, têm significado muito diferente e nem complementares são.
Não alinhar pelo mesmo diapasão e gostar de discutir os assuntos, chegando desta forma a conclusões muito mais ricas, não pode em política ser sinónimo de traição, muito menos do princípio democrático.
A democracia é isso mesmo. Discutir e cada um argumentar o melhor que conseguir para obter, através de um processo participativo, o melhor resultado. Estar todos de acordo, cultivando o culto do líder não é o melhor caminho. Não, definitivamente não é.
Como estaríamos hoje se Mário Soares ou Álvaro Cunhal, para citar só estes dois nomes, tivessem prestado  culto a António Oliveira Salazar ou Marcelo Caetano? Estes dois políticos e muitos outros que no Estado Novo quiseram discutir política com o status quo são traidores do espírito democrático por terem discordado da prática então existente?
Então porque tentam alguns confundir alguns peões, servos de pessoas e não de ideias, que discussão é sinónimo de traição? Efectivamente é incompreensível que em plena democracia se confunda nalguns círculos políticos a discussão democrática com uma traição a princípios políticos ou ideológicos.
Não serão esses que não concordando com o culto do líder, cultivando antes o culto democrático da participação quem mais trabalha para a verdadeira afirmação democrática das ideias e dos princípios? A resposta é simples e é afirmativa. A diferença de opinião nunca pode ser confundida com traição. Cair nesse abismo reflecte a falta de argumentação e o medo de perder poder. Mas como tantas vezes o afirmei, o poder é efémero e uma mera ilusão.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Acreditar

A estrutura organizativa e de gestão, quer nacional quer local, está assente nas organizações políticas, leia-se partidos políticos. Estas estruturas têm hoje uma imagem de descrença generalizada por parte dos cidadãos.
Ética e dignidade são conceitos que devem ser devolvidos á actividade política-partidária. É no interior dos partidos que estes conceitos mais deviam ser respeitados e onde as discussões deveriam assumir carácter político e não pessoal.
A democracia, mesmo no interior dos partidos, não é, nem pode ser, só para elites. É um regime de homens comuns para homens comuns.
Em mais de 25 anos de militância partidária tenho assistido a sucessivos apelos em prol da discussão salutar e da renovação de ideias e ideais, assim como de novas atitudes que parecem ter grandes dificuldades em chegarem.
Há uma sempre crescente vontade de mudança, não de pessoas mas de ideias e atitudes  e acredito que é ainda possível, porque não dizer necessário, uma ampla renovação de práticas que abram a porta dos partidos á militância e aproxime os partidos dos cidadãos, envolvendo-os nas causas públicas.
Continuo a acreditar que é possível com uma prática de rigor, seriedade e a atitude assente na valorização crítica de ideias e sem conceitos pré-definidos, mantendo a dignidade e o respeito pela discussão, chegar mais longe na solidez da democracia.

Recuso-me a desistir de lutar por um melhor futuro!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Força das Ideias Políticas

Depois do resultado das eleições legislativas e da consequente demissão do secretário-geral do Partido Socialista vai haver eleições para  a nova equipa. O processo democrático é salutar, reaviva a democracia e, infelizmente só de tempos a tempos, apela-se á participação dos militantes.
Um partido não é um grupo de amigos, antes um conjunto de pessoas que militam e defendem ideologia idêntica e que discutem e assumem posições políticas, não as confundindo com posturas pessoais. Deveria ser assim, mas nem sempre é. Muitas vezes, se não a maioria dela, no interior dos partidos persiste uma grande confusão daquilo que é uma discussão de ideias (salutar) com questões de índole pessoal.
Bato-me, e continuarei a fazê-lo enquanto achar que vale a pena continuar a lutar por essa postura, pela democratização da discussão política no interior dos partidos e em especial daquele onde milito. Onde aqueles que foram escolhidos pelos seus pares devem manter uma postura de abertura e de participação e não de carreirismo político, onde quem nada quer discutir, para não incomodar o status quo, é posteriormente beneficiado no interior do seu partido.
Em qualquer partido, e assim acontece também no Partido Socialista, cada militante vale um voto, e deve participar na medida em que achar que essa participação é positiva, não devendo é ser-lhe vedada, contra a sua vontade, a sua participação democrática.
Os cargos políticos são ocupados transitoriamente e pese embora reconheça as grande qualidades que António José Seguro detém decidi apoiar Francisco de Assis, porque lhe reconheço grandes qualidades pessoais e políticas para assumir o difícil cargo de secretário-geral.
Pelo que afirmei anteriormente acho que Francisco Assim reúne as condições de devolver ao PS uma “democratização” interna e de o conduzir no difícil combate de ajuda a modernizar o País e a enfrentar as condicionantes da grave crise que Portugal atravessa.
È, de entre os dois candidatos conhecidos até ao momento, aquele que mais capacidade tem para, preparando o futuro através da construção de um projecto alternativo de poder, assente nos valores da solidariedade e da justiça, abrir o PS á participação de militantes e não militantes, democratizando a participação política interna.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Porque será?

Terminou mais um acto eleitoral. Os resultados são por demais conhecidos e espelham o que se esperava. Reflectiram a análise que havia feito, e reforçaram o que disse a um amigo numa sexta-feira de manhã á volta da mesa, quando tomávamos café. Embora ele discordasse disse-lhe que o PSD ganharia ao PS por cerca de 10%. Mais uma vez, lamentavelmente, tive razão. Não é a primeira e não deverá ser a última, mas o que me deixa pensativo é o ter razão sempre antes do tempo. Depois é irrelevante, já não vale de nada.
Mas não foi por isso que estou a escrever estas linhas. São apenas para uma pequena análise de resultados e de apoios. Quatro Presidentes de Câmara, eleitos em listas de movimentos independentes no Alentejo, apoiaram José Sócrates. Em 3 desses Municípios o PS ganhou (Alandroal, Redondo e Sines) e somente em Estremoz o PS perdeu. O Partido socialista teve menos 2220 votos relativamente às legislativas de 2005.
Mesmo contando com o apoio de Luís Mourinha o Partido Socialista não ganhou no Concelho de Estremoz, sendo que o voto urbano foi maioritariamente no PSD, logo aquele que mais perto está do Rossio Marquês de Pombal.
Cada um tirará as suas ilações. A mim só me vem á memória um célebre jogador de futebol que quando comemorava um golo levantava a camisola, e por baixo numa t-shirt branca tinha escrito “Porque Será?”. Do guaraná não será certamente.

domingo, 15 de maio de 2011

Esquerda

Está perto mais um acto eleitoral para a eleição directa dos deputados à Assembleia da República, e de forma indirecta para a escolha do Primeiro-Ministro e do Governo de Portugal. Estas eleições acontecem rodeadas de uma crise económica e financeira e assentes no debate da ajuda externa que o País solicitou.
Mas o Portugal de hoje tem alguma coisa a ver, por exemplo,  com o Portugal da segunda metade do Século XX? Nos anos 50 e 60 o País era atrozmente  desigualitário.
Ao longo destes 37 anos de democracia o País mudou. Mudou, e muito, e com ele fomos percebendo que nenhum País pode desenvolver-se e ser feliz se a grande maioria dos seus concidadãos forem pobres.
Mesmo sabendo-se hoje em que há novas formas de pobreza, que pobres sempre haverá, a preocupação com as desigualdades sociais deve ser uma das grandes preocupações do novo Governo, assim como a valorização do mérito.
A redução das desigualdades sociais deve ser um dos pilares do novo executivo, mas com medidas sérias e não somente nos discursos de campanha. Não basta apresentar documentos  que reflectem estudos onde se concluem que a meta em 2020 é que a pobreza diminua em 200.000.
Não se pode viver em ambiente de cinismo político constante, e onde ingenuamente vamos ouvindo que se luta por uma sociedade mais justa ou, onde nas entrelinhas se vai afirmando, que os pobres apenas existem porque não querem trabalhar. Este cinismo mina a coesão da sociedade.
Estas eleições abrem um espaço á esquerda, á esquerda democrática ou social democracia, como se lhe queira chamar, uma nova esquerda (talvez uma 4.ª via) que não se feche no interior dos aparelhos partidários e se abra a novas ideias de manutenção e reforço do Sistema Nacional de Saúde, da Educação Pública, da Segurança Social…etc.
Mas para isso também é preciso que a esquerda democrática se refunde, e as próximas legislativas também vão ser isso mesmo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

E o burro sou eu?

A frase atribuída a LUIS FILIPE Scolari, teve origem numa conferência de imprensa, após a qualificação de Portugal para o Europeu de Futebol.
Prático e eficaz LUIS FILIPE Scolari levou a água ao seu moinho e cumpriu, com pragmatismo diga-se, o objectivo a que se propusera. A novela não passou disso mesmo, de uma novela. Ainda sofri com a hipótese de apuramento dos finlandeses, mas tudo acabou em bem e lá fomos ao europeu de Futebol.
O que se passou foi perfeitamente normal  e não foi mais que o pragmatismo do senhor LUIS FILIPE Scolari… sendo que  o jogo está muito para além das quatro linhas. É um mundo paralelo cheio de estórias.
Mas embora reconheça os sucessos de LUIS FILIPE Scolari confesso que  não me tira saudades de outras selecções, mas também essas fazem parte de outras novelas.
Para já a única coisa que me apetece dizer é: “E BURRO SOU EU?”.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

É a política

A um mês de eleições legislativas pouco, para não dizer nada, se conhece sobre as propostas dos principais partidos principalmente daqueles que têm por objectivo primeiro a governação do País.
Desde que o País sabe que tem de ir a eleições, os órgãos de comunicação social tem-nos presenteado com um conjunto de fait-diver ou de uma excessiva atenção á troika, que não nos deixam chegar ao essencial.
O Futebol também tem dado uma ajuda ao desviar os nosso olhares na procura de sucessos que nos coloquem nos lugares cimeiros das tabelas internacionais. É a expectativa de pela primeira vez na história duas equipas portuguesas estarem na final da Liga Europa, é o FC Porto a virar o resultado na Taça de Portugal, é o inimitável Mourinhos…etc.
Ou então são almoços, pouco (ou não) prováveis, de apoio a este e àquele candidato que são uma total (suposta) surpresa para as televisões. São maus? São bons? Não sei…são apoios. Uns gostam, outros não.
Independentemente da razão, ou mesmo de um alargado conjunto de razões, da escolha que venhamos a fazer a 5 de Junho, não será uma escolha para a vida, tão somente para quem nos representará no Parlamento e no Governo nos próximos tempos, mas que não deixa de ser muito importante.
Os partidos, pilares da nossa democracia, defendem ideologias diferentes que os distingue uns dos outros na forma de abordarem a uma mesma questão. Ora é essa diferente visão que os deveria levar a apresentar propostas para a resolução dos problemas estruturais, e não de conjuntura, do País e a arranjarem soluções de acordo com a visão que têm da sociedade.
Também cada um de nós, cidadão livre, se identifica mais ou menos com determinada ideologia ou modo de olhar o mundo e definimos a nossa escolha política baseada nessa ideologia ou olhar sobre os problemas e proposta de resolução.
Tudo isto é natural, e até mudamos muitas vezes de opinião, e quem diz o contrário cometerá um erro por ser teimoso. Pessoalmente, mudo de opinião, quando depois de analisar a questão vejo que este ao aquele caminho não é o mais correcto, atendendo ao inicialmente escolhido. É a vida!
O problema, hoje, é que não conhecendo os portugueses as propostas dos partidos políticos, tudo se resume ao voto no partido onde habitualmente o faz. O voto no partido A ou B, nestas eleições ou até mesmo em eleições autárquicas, poderá nada ter a ver com ideologia, bem pelo contrário.
Quando exercermos o nosso direito a 5 de Junho teremos de ter percebido que estamos a votar num gestor, que terá por missão gerir uma equipa que faça o País sair da situação financeira em que se encontra, e não poderemos seguir uma prática cega do seguidismo de interesses e não conseguir ouvir os outros e aceitar as suas ideias, por muito diferentes que sejam das nossas, e persistir na teimosia, o que acabará numa má escolha e na persistência do erro.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Hoje não me apetece escrever

Hoje não me apetece escrever. Falta de assunto? Não.
Podia, hoje que José Sócrates apresentou numa intervenção ao país os termos da ajuda externa, escrever sobre isso ou escrever sobre os apoios que tem recolhido junto de autarcas, mas não. Não me apetece.
Hoje, simplesmente não.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O FMI e o Titanic

O RMS Titanic foi um transatlântico da Classe Olympic propriedade da White Star Line. Foi construído nos estaleiros da Harland and Wolff em Belfast, na Irlanda do Norte.
Na noite de 14 de Abril de 1912, durante a sua viagem inaugural, com inicio em Southampton e destino a Nova York, chocou com um iceberg no Oceano Atlântico e afundou-se duas horas e quarenta minutos depois, na madrugada do dia 15 de Abril de 1912.
Com 3.547 pessoas a bordo, o naufrágio resultou na morte de 1.523 pessoas, e é considerada uma das piores catástrofes marítimas de sempre. O Titanic foi construído com base na mais avançada tecnologia disponível na época e foi popularmente referenciado como "inafundável" - na verdade, um folheto publicitário de 1910, da White Star Line, sobre o Titanic, alegava que ele fora "concebido para ser inafundável".
Foi um grande choque para muitos que, apesar da tecnologia avançada e da experiente tripulação, viram o Titanic afundar-se levando consigo  uma grande quantidade vidas humanas.
Os meios de comunicação social sobre o frenesi de vítimas famosas do Titanic, as lendas sobre o que aconteceu a bordo do navio, as mudanças resultantes do direito marítimo, bem como a descoberta do local do naufrágio em 1985 por uma equipa liderada pelo Dr. Robert Ballard, fizeram com que a história do Titanic continuasse famosa.
Olhar para Portugal hoje, com a entrada do FMI, faz-me lembrar um pouco a história do Titanic. E a banda continua a tocar…

quarta-feira, 23 de março de 2011

A sede de poder in planetasoares.com

Está marcado no calendário que hoje será o dia em que o Governo da Républica cairá do pedestal em que está e será marcada uma data para novas eleições.
Parece também que o nosso querido presidente diz que tudo isto aconteceu muito rapidamente e que não teve margem de manobra para actuar preventivamente. Como eu o compreendo. Não é a primeira vez, nem sequer a segunda e não será seguramente a última. A Maguia não o deixa vêgue televisão em casa à hoga do telejognal e pug isso não conseguiu segue pegueventivo.
Quem se ri de contente é o Passos Coelho e os seus pares.
Preparam-se para tomar de assalto um lugar que não é deles – curiosamente não se comprometem com coligações com o CDS antes das eleições, algo que deveria ser obrigatório para que o povo saiba quem pode colocar no poleiro – já avisou que isto está muito mal e que ainda vai piorar – terá sempre a desculpa que isto ainda estava pior do que pensavam e que por isso vão ter que reforçar as medidas de contenção – ding, ding, ding… sai um pacote de privatização para a saúde em Portugal – e quando a retoma finalmente vier – sim, há-de chegar – serão vistos como os salvadores da pátria.
Como não me considero (muito) estúpido, nem costumo ter (grandes) falhas de memória, digo já para não contarem comigo para dançar este baile.

The A sede de poder by António Soares, unless otherwise expressly stated, is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-Share Alike 2.5 Portugal License.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sobre esta coisa das gerações que no fundo todos devemos a Vicente Jorge Silva e não a Pacheco Pereira (mas até podia ter sido)

Do blogue "http://aummetrodochao.blogs.sapo.pt", de Inês Teotónio Pereira,  publico o texto colocado por esta, na íntegra, a 10 de Março, que acho nos merece relexão.
Assim aqui fica.

"A primeira vez que me colaram a uma geração foi na altura em que a PGA era motivo mais do que suficiente para os bloquistas do principio dos anos 90 mostrarem o rabo aos ministros da educação. Foi à conta deles, dos bloquistas, que um cavaquista chamou à minha geração, geração rasca (o criativo foi o jornalista, socialista Vicente Jorge Silva, que era na altura uma espécie de Emídio Rangel de Guterres, mas raramente aparecia da televisão e muito menos na RTP N).
Ainda hoje tenho a certeza absoluta de que o insulto não era para mim nem dirigido a ninguém que eu conheça; quase que posso jurar que Pacheco Pereira se referia justamente aos bloqusitas da época, que em vez de irem às aulas e depois para casa estudar para a PGA, passavam as tardes entre o café em frente ao liceu e a escadaria da Assembleia da República a mostrarem os rabos às câmara de televisão só para chatearem o Marques Mendes, que na altura mandava na televisão, e o Dias Loureiro, que mandava na polícia, e o Ministro da Educação, que já não me lembro quem era porque estava sempre a mudar.
Tenho ideia que as manifestações dos rabos também contestavam o pagamento das propinas, porque dantes só se pagava para estudar na Católica e na Lusíada, que eram as universidades dos meninos ricos e maus alunos, ou só uma coisa ou só outra, porque não tinham entrado no estado que era sempre a primeira escolha.
A geração rasca ainda fez a PGA, que era canja, andou na universidade, não pagou propinas, fez os cursos do Torres Couto e da Teresa Costa Macedo onde se ganhava trinta contos ou mais vindos da CEE (a CEE dava dinheiro ao Torres Couto e à Teresa Costa Macedo para fazerem cursos de fotografia em vez de ajudar as pescas, a agricultura, as pequenas e médias empresas e o sector produtivo) e começou a ir à neve.
A geração rasca cresceu saudável, porque quando as pessoas da geração rasca eram crianças não havia cereais de chocolate e ao pequeno-almoço comia-se pão com marmelada e leite que se fervia num fervedor (também não existiam gomas e os dentistas não distribuíam aparelhos para os dentes por tudo e por nada).
A geração rasca tirou cursos de economia, de gestão e de direito, foi trabalhar para os escritórios de advogados e para as empresas, fez contratos de trabalho, passou recibos verdes, fez biscates para ganhar dinheiro para poder sair à noite, mudou de empregos, comprou casas com os créditos à habitação da Nova Rede onde só trabalhavam homens (e não alugou casas por dois contos ou por quinhentos escudos como os pais que ainda tinham a lata de se irem queixar os senhorios porque a torneira estava pingar). Gastou dinheiro que se fartou, pagou impostos por todas as gerações passadas até aos anos 30 ou 40 e trabalhou e estudou que que nem um camelo. Ainda hoje é assim.
Quanto à música, bom, só o Abrunhosa é que adaptou um original para contestar e para vender mais discos, mais nada. Nem uma notinha.
A geração rasca, a minha, foi a melhor geração desde o final da II Guerra, no mínimo: sobrevivemos aos direitos adquiridos da geração de cima e agora temos de aturar a lamurias da geração de baixo que reclama direitos adquiridos.
Já a geração dos meus filhos, proponho, por exemplo, a Pacheco Pereira, que se comece desde já a chamar degeração que se raspa, porque se os nossos filhos não optarem por se rasparem daqui para fora, arriscam-se a ficar na terrinha a trabalhar numa coisa qualquer, que não tem nada a ver com o curso que tiraram ou com outro qualquer que exista, para pagar dívidas e para sustentar a geração à rasca que daqui a cinquenta anos ainda vai estar a mandar curriculos para a PT, a EDP, a RTP, a CP, a Galp, a CGD, a REN (entretanto, já falidas) e a ouvir os deolinda.
Inês Teotónio Pereira "

quinta-feira, 10 de março de 2011

A vida é feita de escolhas (2)

Como referido no post anterior a vida é feita de escolhas. No fundo estaremos tanto ou mais satisfeitos consoante a “arte” que tivermos na nossa escolha do caminho, no entanto há que considerar as escolhas que fazemos em cada momento e de como elas condicionam o futuro.
Os significados que atribuímos ao que fazemos são estruturantes do nosso bem-estar e da nossa riqueza enquanto pessoas. Um exemplo ilustrativo é a história de 3 operários a quem foi perguntado o que estavam a fazer. O primeiro respondeu que estava a assentar tijolos, o segundo que estava a construir uma escada e o terceiro que estava a colaborar na construção de uma catedral. Há assim significados diferentes para cada um de nós para aquilo que fazemos e somos nós quem os pode escolher. Esta escolha marca de forma significativa o nosso percurso e faz toda a diferença.
Aqueles que tiveram um passado orientado e fechado dentro de determinados limites, passam o tempo a querer mudar o que fizeram, a lamentar-se, a culpar outros, enquanto outros procuram soluções, não confundindo a aceitação com o conformismo e procuram agir de acordo com as oportunidades.
Nas escolhas da vida muitos há que se prende a dogmatismos, á arrogância ou á negação e ficam presos ao passado, sendo basicamente e profundamente influenciados pelas crenças e valores. Coloca-se pois a aqui a questão: intervir e mudar ou ser passivo? Temos a consciência de que aquilo que obtemos está directamente relacionado com as escolhas que fazemos.
A grande escolha final é de que é possível mudar e cintando Jean Paul Satre “Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim."

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A vida é feita de escolhas

Ao longo da nossa vida, todos os dias da mesma, nos deparamos com escolhas, sejam elas de grande ou de menor importância consoante o grau que lhe quisermos atribuir. Toda a nossa vida é feita de escolhas, logo feita de tomadas de decisão.
Algumas das escolhas que fazemos são essenciais e estruturantes daquilo que hoje somos, tais como as políticas, religiosas ou até mesmo do papel que desempenhamos na sociedade.
E a nossa vida, sucessos e fracassos, é assim o resultado das escolhas que fazemos, das estratégias que desenvolvemos, e dos processos estruturantes que seguimos.
Tal como J. A. Wanderley afirma “ A vida é a arte das escolhas, dos sonhos, dos desafios e da acção”, é assim a nossa vida, composta por inúmeras variáveis, que na sua maioria não dominamos, mas que se nos colocam e em virtude das quais temos de fazer escolhas. Acertadas ou não só no futuro o sabemos.
Assim, em qualquer momento estamos, conscientes ou não, a tomar decisões, mesmo quando decidimos não decidir. Não escolher também é uma tomada de decisão.
Quando escolhemos devemos também ter presente que devemos assumir os nossos actos e a responsabilidade da escolha, pese embora á primeira vista seja tomada a escolha mais fácil no contexto envolvente e ter presente que a nossa vida é tanto mais rica consoante o significado que atribuímos ao que fazemos. Pretende-se em muitas escolhas arranjar culpados pelo que foi feito se essa escolha se mostra desastrosa.
As nossas escolhas sofrem forte influência atendendo ao nosso sistema de valores e crenças. Todos temos um conjunto de crenças e valores que nos moldam o e que são determinantes no caminho que seguimos
A vida é uma estrada com bifurcações onde a escolha que fazemos condiciona o resto do caminho…mas é a vida.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Os Amigos e os Amigalhaços

Esta é uma das crónicas que Miguel Esteves Cardoso escreveu para o Expresso, e que veio posteriormente a ser editada em livro conjuntamente com muitas outras. Por aquilo que aborda, a amizade e a falsa amizade, achei-a merecedora de ser transcrita, sem cortes ou alterações, aqui fica.
“Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor, nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou o melhor amigo.
A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar, todas estas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.
Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta.
Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisas à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação, “dinheiro, para os materialistas”. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um “amigo”.
Todos conhecemos o género – é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». É o «amigalhaço». E tem naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c.
Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser uma bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa.
É fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão.
O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana». Como se pode ser amigo se um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus.
A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. É claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser. É conveniente deixar que os outros digam mal dos nossos amigos ou defendê-los sem convicção. Fica bem, dá um ar de pluralismo e equanimidade, é sociável. Podemos até pensar para nós próprios: “Não faz mal – isto é só conversa. O que interessa é o que sentimos”.
É verdade que interessa o que sentimos, mas, como já o sentimos, passa a interessar mais o que fazemos. Ser amigo não é sentirmo-nos amigos – é comportarmo-nos como amigos. Que me interessa que gostem de mim e me façam mal? Interessa-me tão pouco como aqueles que me façam bem sem gostarem de mim. Ter um sentimento também cria a obrigação de respeita-lo.
Um amizade escondida, que não se orgulhe em ser anunciada, é uma vergonha no verdadeiro sentido da vergonha.
Para se ser amigo de alguém, tem de se passar por intolerante e por faccioso. E que mal tem isso? Quero eu dizer: que mal tem ser mesmo um amigo intolerante e faccioso? Os amigos confiam em nós e, quando se começa a tolerar que outros digam mal deles, só para ser «simpático», essa nossa indiferença fere mais do que as piores palavras de um inimigo. Quando se é amigo de alguém, também se está a dizer «Toma – eis este poder sobre mim». Quanto maior for o poder de fazer alguém feliz, maior também é o poder de magoar. Quando alguém consente que se diga mal de um amigo, esse consentimento é uma cobardia que já começa a ser traição.
Tudo isto deve chocar imenso a mentalidade amigalhaça dos nossos dias. A promiscuidade leva a que se seja amigo da pessoa com quem se calha estar, leva a prezar a presença fortuita de terceiros acima da saudade que cria a ausência de amigos, verdadeiros. E leva a usar o conjunto dos amigos como uma espécie de parque de recrutamento; onde se recorre cada vez que é preciso uma pândega qualquer. Tem-se vergonha de ser leal. Quando nos dizem “Ouve lá – o teu amigo há-de ter defeitos”, temos vergonha de responder como nos apetece no coração, dizendo “Pode ser que tenha, mas não me interessa saber”.
Querer estar bem com todos é, quando a mim, mais odioso que ter ódio a toda a humanidade.
O amigalhaço é aquele que acaba por ser inimigo de todos, na maneira como se comporta, para ser amigo só de si mesmo, no resultado desse comportamento.
A amizade só faz sentido quando traduz claramente uma escolha: “Eu escolhi ser amigo dele – não escolhi ser amigo teu”.
Ser amigo é uma prática. Gostar é apenas uma sensação. Posso dizer, com verdade, «Gosto muito de ti, mas não posso ser teu amigo». Não há tempo. Não há necessidade. Não há, de momento, mais espaço no coração.
Não se pode ter muitos amigos e mesmo os poucos amigos que se têm não se podem ser tantos como nos apetecia. Para não passar mal, aprende-se a economia da amizade, ciência um bocado triste e um bocado simples que consiste em ampliar os gestos e os momentos de comunidade, para compensar os grandes desertos de silêncio e de separação que são os normais. Como por exemplo? Como, por exemplo, abrir mesmo os braços e dar mesmo um abraço. Dizer mesmo na cara de alguém «Tu és um grande amigo» e ser mesmo verdade. Acho que não é de aproveitar todos os momentos como se fossem únicos, porque isso seria uma forma de paixão, mas antes estarmos com os amigos, nos poucos momentos que se têm, como se nunca nos tivéssemos separado. A amizade é uma condição que nunca pode ser excepcional. Tem de ser habitual e eterna e previsível.
E a economia dela nota-se mais quando reparamos que, sempre que não estamos com os nossos amigos, estamos sempre a falar deles. É bom dizer bem de um amigo, sem que ele venha a saber que dissemos. E ter a certeza que ele faz o mesmo, pensando que nós não sabemos.
A amizade vale mais que a razão, o senso comum, o espírito crítico e tudo mais que tantas vezes justifica a conversação, o convívio e a traição. A amizade tem de ser como ter uma coisa à parte, onde a razão não conta. Ter um amigo tem de ser como ter uma certeza. Num mundo onde certezas, como é óbvio, não há.
Para os amigalhaços, que estão para a «amizade livre» como os hippies para o «amor livre», um amigo não é mais que um ponto útil numa rede de relações. É um «contacto». É um capital.
Ser amigo sem esforço, sem sacrifício, é ser amigo sem amizade.
Gostar das pessoas é fácil.
Ser amigo delas não é.
Mas as coisas que valem a pena não podem deixar de ter a pena que valem.
E pena não se poder ser amigo de toda a gente, mas um só amigo vale mais do que toda a gente.
Porquê? Sei lá. Mas vale!!!"
Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PELA CONSTRUÇÃO DA VARIANTE A ESTREMOZ DO IP2/EN 18

Está a decorrer uma petição, on-line pela construção da Variante de Estremoz do IP2. Esta é uma obra ansiada à muito e que facilitaria bastante a vida dos estremocenses.

Pode ler mais abaixo a petição na íntegra.
PELA CONSTRUÇÃO DA VARIANTE A ESTREMOZ DO IP2/EN 18
• Os estremocenses esperam há muitos anos pela construção da Variante de Estremoz ao IP2/EN18 que tarda em ser construída.•
• A actual EN 18 atravessa uma importante zona habitacional e de serviços da cidade onde se encontram um hipermercado, o Centro de Saúde, a Escola Secundária Rainha Santa Isabel, o Centro de Emprego, a Escola Básica Sebastião da Gama, o Pavilhão Desportivo Municipal, as Piscinas Municipais, a Escola do 1º. Ciclo do Ensino Básico (Escola do Caldeiro), o Lar de Santo André, 3 acessos ao centro da Cidade, 1 acesso ao Centro Histórico (castelo) e vários acessos à importante zona habitacional de Mendeiros, entre outros.•
• Os incómodos e os riscos para os cidadãos de Estremoz têm vindo a multiplicar-se e, no espaço de menos de 2 meses, dois jovens estudantes foram atropelados numa passadeira que atravessa a EN18, junto à Escola Secundária.•
• A construção da Variante de Estremoz ao IP2 é uma obra urgente que serve os interesses colectivos da cidade e dos estremocenses e que não pode continuar eternamente adiada para servir os interesses de alguns.•
Os cidadãos que assinam e apoiam esta Petição, pedem ao Governo que tome uma decisão urgente sobre o traçado da Variante ao IP2 que melhor sirva os interesses de Estremoz e dos estremocenses e que tome as medidas que concorram para a sua urgente construção.


Para aqueles que concordarem com esta petição podem assina-la em:


http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N5949

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Novas ideias, precisam-se.

Embora não concordando na maioria das situações com a sua postura, não posso estar mais de acordo com a afirmação de Manuel Maria Carrilho, feita em entrevista ao público, de "Precisamos de ideias novas, e só através do debate é que elas podem surgir".
O Partido Socialista parece ultimamente ter medo do debate, e escrevo parece em virtude de uma secreta esperança que ainda haja por parte de alguns a coragem de dizer não ao status quo instalado, concordado também que o "exercício do poder, que se reduz à obsessão de durar, nunca deu futuro a nenhum partido". Mas é esse exercício que tolda na sua grande maioria a prática da democracia e abafa, sabe-se lá porquê, o debate de ideias e produz, nalguns, a fobia da discussão sã e saudável de diferentes pontos de vista.
Sou, como sempre fui, um militante de causas, do debate de ideias e do desenvolvimento da comunidade onde me insiro e causa-me alguma perplexidade que os directórios políticos do nosso espectro político fujam a novas ideias e ao fortalecimento da democracia.
O que hoje se passa em África é um dos exemplos daquilo que a política deve ser: para as pessoas e para o desenvolvimento das suas condições de vida.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Parabéns Vitinho

O Vitinho completa hoje meio século.

O Vitinho era a personagem que dava as Boas Noites a todos os telespectadores há 25 anos! Aqueles que hoje andam na casa etária superior aos 30 devem lembrar-se, e bem, desta melodia: "Está na hora, da caminha, vamos lá dormir...".
O Vitinho esteve no ar durante 10 anos, entre 1986 e 1997, na RTP. Começou como mascote de uma empresa alimentar, que decidiu produzir uma animação para televisão, utilizando este boneco e adicionando uma música que dizia às crianças que estava na hora de ir dormir.
Entre 1986 e 1997 deram voz às músicas:
• Boa noite, Vitinho! (1986) - Dulce Neves
• Boa noite, Vitinho! II (1989) - Isabel Campelo
• Boa noite, Vitinho! III (1991) - Eugénia Melo e Castro & LSO
• Boa noite, Vitinho! IV (1992) - Paulo de Carvalho

domingo, 30 de janeiro de 2011

Amor e Contra

Volto com este post às crónicas de Miguel Esteves Cardoso (MEC) em “A causa das coisas”. Algumas são de facto memoráveis e merecem-nos a atenção, como é o caso de “Amor”. Escreve então MEC “Mesmo que Dom Pedro não tenha arrancado e comido o coração do carrasco de D. Inês, Júlio Dantas continua a ter razão: é realmente diferente o amor em Portugal”.
Ainda hoje é mais fácil dizer que gostamos de alguém, em vez de dizer que amamos alguém. O pudor que MEC descreve em relação ao incómodo fonético que é dizer “Eu amo-o ou eu amo-a”, continua a acontecer.
O mesmo se passa para a palavra “amante”. Palavra de sentido simples que significa “aquele que ama”, tem para os portugueses um sentido malicioso, indecente ou de pouca vergonha.
Ao longo desta crónica, MEC demonstra a grande confusão estabelecida entre amar e gostar, do amor com a paixão, e como se torna difícil a condição de se amar em Portugal.
Para aquele autor “Estas distinções fazem parte dos divertimentos sérios das outras culturas e, para podermos divertirmo-nos e fazê-las também, é urgente repor o verbo amar em circulação, deixarmo-nos de tretas, e assim aliviar dramaticamente o peso oneroso que hoje recai sobre a desgraçada e malfadada paixão”.
Interessante também, não é que não sejam todas, é a crónica “confiança”. Num tempo em que os cidadãos andam descontentes e desconfiam dos políticos, nesta crónica MEC começa por afirmar “Num aspecto da maior importância, todos os partidos políticos têm sido desrespeitosos e malcriados para com os cidadãos deste país”. Poderíamos, segundo a mesma linha de raciocínio adicionar a palavra “contra”, onde a política volta ao centro da escrita, nesta por causa das sondagens, nomeadamente que “não era necessário uma empresa especializada para saber a verdade fundamental que está na base de todos os resultados e de todas as sondagens, nomeadamente que 99% dos portugueses são contra”
Efectivamente ainda hoje os portugueses são contra. Contra seja o que for. Contra e pronto.
Há muitas mais crónicas que vale a pena, talvez um dia lá voltemos.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Causa das Coisas

Muito antes de Nuno Markl, e da sua caderneta de cromos, o panorama satirizante dos hábitos e características dos portuguesa, nos ido de 80, estava a cargo de Miguel Esteves Cardoso. Começou pelas crónicas no Expresso e o seu humor irreverente levou à junção num livro de título “A Causa das Coisas”.  No fundo são crónicas que pretendiam, julgo ainda se manterem actuais a maioria delas, explicar as causas de tantas coisas do nosso país.
Escreve na crónica, com o mesmo do livro, “A Cauda das Coisas” que “Em Portugal, ter amor às nossas coisas implica dizer mal delas, já que a maior parte delas não anda bem. Nem uma coisa nem outra constitui novidade. Nem dizer mal delas, nem o facto de elas não andarem bem. Será que se diz mal na esperança que elas se ponham boas? Também não. As nossas causas são sempre perdidas. Porquê então?”.
Parece que ainda assim vamos continuando e para reforçar contínua” Desdenhar o que se tem e elogiar o que têm os outros, mas sem querer trocar, é a principal característica do aristocrático feitio do povo português. Às vezes penso que dizemos tanto mal de Portugal e dos portugueses para que não sejam os estrangeiros a fazê-lo. Monopolizamos a maledicência para nos defendermos; para evitar a concorrência”.
Estes são pormenores, que como se compreenderá, se referiam à década de 80 mas que continuam bastante actuais, e aos quais voltaremos em próximos post.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Colors of the Wind

Colors of the Wind

"Hi!! :D We are a group of portuguese students that learn in School "Secundária /3 Rainha Santa Isabel" who are learning English for three years. We are in the 7th grade, class A!! We are a fantastic class with nice boys and girls!!We hope you like our blog! Enjoy it!!"

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011

A campanha para as eleições presidenciais de 2011 tem sido, do ponto de vista da discussão daquilo que é a função presidencial, muito fraca. Centrou-se em assuntos paralelos à própria campanha e não no cerne da questão.
Também é verdade que, porventura fruto da crise que o País atravessa, a mobilização é praticamente inexistente. Não se mobiliza para uma campanha e para uma luta política chamando à cena meia dúzia, seja por desinteresse seja por estratégia, e as várias candidaturas não têm conseguido mobilizar os portugueses, até mesmo aqueles que geralmente aparecem, nem que seja só para a fotografia.
Porque faz falta uma campanha de mobilização e de discussão dos problemas e da função presidencial, para animar um pouco ….

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Merecido

José Mourinho continua a ser o "Special One". Eleito melhor treinador de futebol do ano pela FIFA, na última época conquistou "tudo" ao serviço do Inter de Milão.

“Não sou mais um, penso que sou especial”. Esta é frase que em 2004 lhe valeu a alcunha de “Special One”.
Mourinho junta o prémio FIFA, atribuído pela primeira vez, a muitos prémios, entre os quais melhor treinador, atribuídos por UEFA, Federação Internacional de História e Estatística do Futebol, Itália, Inglaterra e World Soccer.
Esta afirmação, embora arriscada, veio a confirmar as potencialidades de Mourinho, e que Vilarinho um dia não percebeu. Quando a fez era o campeão europeu em título, pelo FC Porto, e ainda só tinha seis dos 17 títulos que viria a conquistar em 10 anos como treinador principal.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Causas Presidenciais


Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

A 23 de Janeiro seremos mais uma vez chamados a cumprir o dever cívico de eleger o Presidente da República. A democracia está em causa? Não. Poderia ter outra qualidade? Sim.
Para quem acredita que a política deve ser feita de causas, que o Presidente da República deve ser um Homem de causas, alguém que conduza a candeia e resista à política fácil, alguém que quando é preciso Diz Não, então a escolha está feita.
O que mais admiro em Manuel Alegre é a sua vitalidade e a sua combatividade de homem que acredita em causas. Manuel Alegre é importante na política como defensor de uma democracia mais qualitativa e menos dada a atropelos de princípios.
O poder está nas nossas mãos e devemos exerce-lo a 23 de Janeiro. Com o voto em Manuel Alegre seremos, cada um, mais uma voz a dizer não. Uma voz disposta a não se deixar submeter.
Manuel Alegre é um homem controverso? Sim. Mas não são todos os grande homens assim? Acredito que Manuel Alegre é um homem que resiste ás coisas fáceis e mundanas e transporta a candeia que nos indica o caminho colectivo de um novo paradigma político.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bom 2011

A tradição de comer 12 passas e 12 pedir desejos na transição de cada ano, além da rapidez com que há necessidade de o fazer, parece não trazer grandes resultados, pelo menos para mim nunca dei por tal.

Com os anos vamos refinando os nossos pedidos e poupando na quantidade de desejos, porque as passas essas são comidas até última. Mesmo não sendo grande adepto de tal tradição, a mesma serve para renovar a ideia de um futuro melhor. O passado de ontem é sempre pior que o de antes de ontem e estes desejos de novas “conquistas” para o novo ano servem, pelo menos, para o encarar com outra atitude, mais positiva.
Geralmente os desejos que todos os anos vamos pedindo são os que a grande maioria das pessoas pede. Fui-me adaptando às circunstâncias e passei a pedir (para não fugir à tradição) um ou dois desejos, daqueles que são pessoais, e que às vezes também se estendem aos amigos e familiares.
Os meus pedidos para 2011 são talvez sonhos. Mas também é preciso sonhar. Não custam um euro, não pagam impostos e não afectam ninguém.
Para se realizarem também é preciso atitude. Atitude de cada um no cumprimento dos princípios da solidariedade, da fraternidade e da igualdade. Atitude no combate ao ostracismo, à mentira, ao egoísmos e à falta de decência.


Um Bom 2011