domingo, 30 de janeiro de 2011

Amor e Contra

Volto com este post às crónicas de Miguel Esteves Cardoso (MEC) em “A causa das coisas”. Algumas são de facto memoráveis e merecem-nos a atenção, como é o caso de “Amor”. Escreve então MEC “Mesmo que Dom Pedro não tenha arrancado e comido o coração do carrasco de D. Inês, Júlio Dantas continua a ter razão: é realmente diferente o amor em Portugal”.
Ainda hoje é mais fácil dizer que gostamos de alguém, em vez de dizer que amamos alguém. O pudor que MEC descreve em relação ao incómodo fonético que é dizer “Eu amo-o ou eu amo-a”, continua a acontecer.
O mesmo se passa para a palavra “amante”. Palavra de sentido simples que significa “aquele que ama”, tem para os portugueses um sentido malicioso, indecente ou de pouca vergonha.
Ao longo desta crónica, MEC demonstra a grande confusão estabelecida entre amar e gostar, do amor com a paixão, e como se torna difícil a condição de se amar em Portugal.
Para aquele autor “Estas distinções fazem parte dos divertimentos sérios das outras culturas e, para podermos divertirmo-nos e fazê-las também, é urgente repor o verbo amar em circulação, deixarmo-nos de tretas, e assim aliviar dramaticamente o peso oneroso que hoje recai sobre a desgraçada e malfadada paixão”.
Interessante também, não é que não sejam todas, é a crónica “confiança”. Num tempo em que os cidadãos andam descontentes e desconfiam dos políticos, nesta crónica MEC começa por afirmar “Num aspecto da maior importância, todos os partidos políticos têm sido desrespeitosos e malcriados para com os cidadãos deste país”. Poderíamos, segundo a mesma linha de raciocínio adicionar a palavra “contra”, onde a política volta ao centro da escrita, nesta por causa das sondagens, nomeadamente que “não era necessário uma empresa especializada para saber a verdade fundamental que está na base de todos os resultados e de todas as sondagens, nomeadamente que 99% dos portugueses são contra”
Efectivamente ainda hoje os portugueses são contra. Contra seja o que for. Contra e pronto.
Há muitas mais crónicas que vale a pena, talvez um dia lá voltemos.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Causa das Coisas

Muito antes de Nuno Markl, e da sua caderneta de cromos, o panorama satirizante dos hábitos e características dos portuguesa, nos ido de 80, estava a cargo de Miguel Esteves Cardoso. Começou pelas crónicas no Expresso e o seu humor irreverente levou à junção num livro de título “A Causa das Coisas”.  No fundo são crónicas que pretendiam, julgo ainda se manterem actuais a maioria delas, explicar as causas de tantas coisas do nosso país.
Escreve na crónica, com o mesmo do livro, “A Cauda das Coisas” que “Em Portugal, ter amor às nossas coisas implica dizer mal delas, já que a maior parte delas não anda bem. Nem uma coisa nem outra constitui novidade. Nem dizer mal delas, nem o facto de elas não andarem bem. Será que se diz mal na esperança que elas se ponham boas? Também não. As nossas causas são sempre perdidas. Porquê então?”.
Parece que ainda assim vamos continuando e para reforçar contínua” Desdenhar o que se tem e elogiar o que têm os outros, mas sem querer trocar, é a principal característica do aristocrático feitio do povo português. Às vezes penso que dizemos tanto mal de Portugal e dos portugueses para que não sejam os estrangeiros a fazê-lo. Monopolizamos a maledicência para nos defendermos; para evitar a concorrência”.
Estes são pormenores, que como se compreenderá, se referiam à década de 80 mas que continuam bastante actuais, e aos quais voltaremos em próximos post.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Colors of the Wind

Colors of the Wind

"Hi!! :D We are a group of portuguese students that learn in School "Secundária /3 Rainha Santa Isabel" who are learning English for three years. We are in the 7th grade, class A!! We are a fantastic class with nice boys and girls!!We hope you like our blog! Enjoy it!!"

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011

A campanha para as eleições presidenciais de 2011 tem sido, do ponto de vista da discussão daquilo que é a função presidencial, muito fraca. Centrou-se em assuntos paralelos à própria campanha e não no cerne da questão.
Também é verdade que, porventura fruto da crise que o País atravessa, a mobilização é praticamente inexistente. Não se mobiliza para uma campanha e para uma luta política chamando à cena meia dúzia, seja por desinteresse seja por estratégia, e as várias candidaturas não têm conseguido mobilizar os portugueses, até mesmo aqueles que geralmente aparecem, nem que seja só para a fotografia.
Porque faz falta uma campanha de mobilização e de discussão dos problemas e da função presidencial, para animar um pouco ….

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Merecido

José Mourinho continua a ser o "Special One". Eleito melhor treinador de futebol do ano pela FIFA, na última época conquistou "tudo" ao serviço do Inter de Milão.

“Não sou mais um, penso que sou especial”. Esta é frase que em 2004 lhe valeu a alcunha de “Special One”.
Mourinho junta o prémio FIFA, atribuído pela primeira vez, a muitos prémios, entre os quais melhor treinador, atribuídos por UEFA, Federação Internacional de História e Estatística do Futebol, Itália, Inglaterra e World Soccer.
Esta afirmação, embora arriscada, veio a confirmar as potencialidades de Mourinho, e que Vilarinho um dia não percebeu. Quando a fez era o campeão europeu em título, pelo FC Porto, e ainda só tinha seis dos 17 títulos que viria a conquistar em 10 anos como treinador principal.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Causas Presidenciais


Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

A 23 de Janeiro seremos mais uma vez chamados a cumprir o dever cívico de eleger o Presidente da República. A democracia está em causa? Não. Poderia ter outra qualidade? Sim.
Para quem acredita que a política deve ser feita de causas, que o Presidente da República deve ser um Homem de causas, alguém que conduza a candeia e resista à política fácil, alguém que quando é preciso Diz Não, então a escolha está feita.
O que mais admiro em Manuel Alegre é a sua vitalidade e a sua combatividade de homem que acredita em causas. Manuel Alegre é importante na política como defensor de uma democracia mais qualitativa e menos dada a atropelos de princípios.
O poder está nas nossas mãos e devemos exerce-lo a 23 de Janeiro. Com o voto em Manuel Alegre seremos, cada um, mais uma voz a dizer não. Uma voz disposta a não se deixar submeter.
Manuel Alegre é um homem controverso? Sim. Mas não são todos os grande homens assim? Acredito que Manuel Alegre é um homem que resiste ás coisas fáceis e mundanas e transporta a candeia que nos indica o caminho colectivo de um novo paradigma político.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bom 2011

A tradição de comer 12 passas e 12 pedir desejos na transição de cada ano, além da rapidez com que há necessidade de o fazer, parece não trazer grandes resultados, pelo menos para mim nunca dei por tal.

Com os anos vamos refinando os nossos pedidos e poupando na quantidade de desejos, porque as passas essas são comidas até última. Mesmo não sendo grande adepto de tal tradição, a mesma serve para renovar a ideia de um futuro melhor. O passado de ontem é sempre pior que o de antes de ontem e estes desejos de novas “conquistas” para o novo ano servem, pelo menos, para o encarar com outra atitude, mais positiva.
Geralmente os desejos que todos os anos vamos pedindo são os que a grande maioria das pessoas pede. Fui-me adaptando às circunstâncias e passei a pedir (para não fugir à tradição) um ou dois desejos, daqueles que são pessoais, e que às vezes também se estendem aos amigos e familiares.
Os meus pedidos para 2011 são talvez sonhos. Mas também é preciso sonhar. Não custam um euro, não pagam impostos e não afectam ninguém.
Para se realizarem também é preciso atitude. Atitude de cada um no cumprimento dos princípios da solidariedade, da fraternidade e da igualdade. Atitude no combate ao ostracismo, à mentira, ao egoísmos e à falta de decência.


Um Bom 2011