sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A vida é feita de escolhas

Ao longo da nossa vida, todos os dias da mesma, nos deparamos com escolhas, sejam elas de grande ou de menor importância consoante o grau que lhe quisermos atribuir. Toda a nossa vida é feita de escolhas, logo feita de tomadas de decisão.
Algumas das escolhas que fazemos são essenciais e estruturantes daquilo que hoje somos, tais como as políticas, religiosas ou até mesmo do papel que desempenhamos na sociedade.
E a nossa vida, sucessos e fracassos, é assim o resultado das escolhas que fazemos, das estratégias que desenvolvemos, e dos processos estruturantes que seguimos.
Tal como J. A. Wanderley afirma “ A vida é a arte das escolhas, dos sonhos, dos desafios e da acção”, é assim a nossa vida, composta por inúmeras variáveis, que na sua maioria não dominamos, mas que se nos colocam e em virtude das quais temos de fazer escolhas. Acertadas ou não só no futuro o sabemos.
Assim, em qualquer momento estamos, conscientes ou não, a tomar decisões, mesmo quando decidimos não decidir. Não escolher também é uma tomada de decisão.
Quando escolhemos devemos também ter presente que devemos assumir os nossos actos e a responsabilidade da escolha, pese embora á primeira vista seja tomada a escolha mais fácil no contexto envolvente e ter presente que a nossa vida é tanto mais rica consoante o significado que atribuímos ao que fazemos. Pretende-se em muitas escolhas arranjar culpados pelo que foi feito se essa escolha se mostra desastrosa.
As nossas escolhas sofrem forte influência atendendo ao nosso sistema de valores e crenças. Todos temos um conjunto de crenças e valores que nos moldam o e que são determinantes no caminho que seguimos
A vida é uma estrada com bifurcações onde a escolha que fazemos condiciona o resto do caminho…mas é a vida.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Os Amigos e os Amigalhaços

Esta é uma das crónicas que Miguel Esteves Cardoso escreveu para o Expresso, e que veio posteriormente a ser editada em livro conjuntamente com muitas outras. Por aquilo que aborda, a amizade e a falsa amizade, achei-a merecedora de ser transcrita, sem cortes ou alterações, aqui fica.
“Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor, nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou o melhor amigo.
A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar, todas estas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.
Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta.
Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisas à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação, “dinheiro, para os materialistas”. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um “amigo”.
Todos conhecemos o género – é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». É o «amigalhaço». E tem naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c.
Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser uma bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa.
É fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão.
O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana». Como se pode ser amigo se um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus.
A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. É claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser. É conveniente deixar que os outros digam mal dos nossos amigos ou defendê-los sem convicção. Fica bem, dá um ar de pluralismo e equanimidade, é sociável. Podemos até pensar para nós próprios: “Não faz mal – isto é só conversa. O que interessa é o que sentimos”.
É verdade que interessa o que sentimos, mas, como já o sentimos, passa a interessar mais o que fazemos. Ser amigo não é sentirmo-nos amigos – é comportarmo-nos como amigos. Que me interessa que gostem de mim e me façam mal? Interessa-me tão pouco como aqueles que me façam bem sem gostarem de mim. Ter um sentimento também cria a obrigação de respeita-lo.
Um amizade escondida, que não se orgulhe em ser anunciada, é uma vergonha no verdadeiro sentido da vergonha.
Para se ser amigo de alguém, tem de se passar por intolerante e por faccioso. E que mal tem isso? Quero eu dizer: que mal tem ser mesmo um amigo intolerante e faccioso? Os amigos confiam em nós e, quando se começa a tolerar que outros digam mal deles, só para ser «simpático», essa nossa indiferença fere mais do que as piores palavras de um inimigo. Quando se é amigo de alguém, também se está a dizer «Toma – eis este poder sobre mim». Quanto maior for o poder de fazer alguém feliz, maior também é o poder de magoar. Quando alguém consente que se diga mal de um amigo, esse consentimento é uma cobardia que já começa a ser traição.
Tudo isto deve chocar imenso a mentalidade amigalhaça dos nossos dias. A promiscuidade leva a que se seja amigo da pessoa com quem se calha estar, leva a prezar a presença fortuita de terceiros acima da saudade que cria a ausência de amigos, verdadeiros. E leva a usar o conjunto dos amigos como uma espécie de parque de recrutamento; onde se recorre cada vez que é preciso uma pândega qualquer. Tem-se vergonha de ser leal. Quando nos dizem “Ouve lá – o teu amigo há-de ter defeitos”, temos vergonha de responder como nos apetece no coração, dizendo “Pode ser que tenha, mas não me interessa saber”.
Querer estar bem com todos é, quando a mim, mais odioso que ter ódio a toda a humanidade.
O amigalhaço é aquele que acaba por ser inimigo de todos, na maneira como se comporta, para ser amigo só de si mesmo, no resultado desse comportamento.
A amizade só faz sentido quando traduz claramente uma escolha: “Eu escolhi ser amigo dele – não escolhi ser amigo teu”.
Ser amigo é uma prática. Gostar é apenas uma sensação. Posso dizer, com verdade, «Gosto muito de ti, mas não posso ser teu amigo». Não há tempo. Não há necessidade. Não há, de momento, mais espaço no coração.
Não se pode ter muitos amigos e mesmo os poucos amigos que se têm não se podem ser tantos como nos apetecia. Para não passar mal, aprende-se a economia da amizade, ciência um bocado triste e um bocado simples que consiste em ampliar os gestos e os momentos de comunidade, para compensar os grandes desertos de silêncio e de separação que são os normais. Como por exemplo? Como, por exemplo, abrir mesmo os braços e dar mesmo um abraço. Dizer mesmo na cara de alguém «Tu és um grande amigo» e ser mesmo verdade. Acho que não é de aproveitar todos os momentos como se fossem únicos, porque isso seria uma forma de paixão, mas antes estarmos com os amigos, nos poucos momentos que se têm, como se nunca nos tivéssemos separado. A amizade é uma condição que nunca pode ser excepcional. Tem de ser habitual e eterna e previsível.
E a economia dela nota-se mais quando reparamos que, sempre que não estamos com os nossos amigos, estamos sempre a falar deles. É bom dizer bem de um amigo, sem que ele venha a saber que dissemos. E ter a certeza que ele faz o mesmo, pensando que nós não sabemos.
A amizade vale mais que a razão, o senso comum, o espírito crítico e tudo mais que tantas vezes justifica a conversação, o convívio e a traição. A amizade tem de ser como ter uma coisa à parte, onde a razão não conta. Ter um amigo tem de ser como ter uma certeza. Num mundo onde certezas, como é óbvio, não há.
Para os amigalhaços, que estão para a «amizade livre» como os hippies para o «amor livre», um amigo não é mais que um ponto útil numa rede de relações. É um «contacto». É um capital.
Ser amigo sem esforço, sem sacrifício, é ser amigo sem amizade.
Gostar das pessoas é fácil.
Ser amigo delas não é.
Mas as coisas que valem a pena não podem deixar de ter a pena que valem.
E pena não se poder ser amigo de toda a gente, mas um só amigo vale mais do que toda a gente.
Porquê? Sei lá. Mas vale!!!"
Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PELA CONSTRUÇÃO DA VARIANTE A ESTREMOZ DO IP2/EN 18

Está a decorrer uma petição, on-line pela construção da Variante de Estremoz do IP2. Esta é uma obra ansiada à muito e que facilitaria bastante a vida dos estremocenses.

Pode ler mais abaixo a petição na íntegra.
PELA CONSTRUÇÃO DA VARIANTE A ESTREMOZ DO IP2/EN 18
• Os estremocenses esperam há muitos anos pela construção da Variante de Estremoz ao IP2/EN18 que tarda em ser construída.•
• A actual EN 18 atravessa uma importante zona habitacional e de serviços da cidade onde se encontram um hipermercado, o Centro de Saúde, a Escola Secundária Rainha Santa Isabel, o Centro de Emprego, a Escola Básica Sebastião da Gama, o Pavilhão Desportivo Municipal, as Piscinas Municipais, a Escola do 1º. Ciclo do Ensino Básico (Escola do Caldeiro), o Lar de Santo André, 3 acessos ao centro da Cidade, 1 acesso ao Centro Histórico (castelo) e vários acessos à importante zona habitacional de Mendeiros, entre outros.•
• Os incómodos e os riscos para os cidadãos de Estremoz têm vindo a multiplicar-se e, no espaço de menos de 2 meses, dois jovens estudantes foram atropelados numa passadeira que atravessa a EN18, junto à Escola Secundária.•
• A construção da Variante de Estremoz ao IP2 é uma obra urgente que serve os interesses colectivos da cidade e dos estremocenses e que não pode continuar eternamente adiada para servir os interesses de alguns.•
Os cidadãos que assinam e apoiam esta Petição, pedem ao Governo que tome uma decisão urgente sobre o traçado da Variante ao IP2 que melhor sirva os interesses de Estremoz e dos estremocenses e que tome as medidas que concorram para a sua urgente construção.


Para aqueles que concordarem com esta petição podem assina-la em:


http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N5949

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Novas ideias, precisam-se.

Embora não concordando na maioria das situações com a sua postura, não posso estar mais de acordo com a afirmação de Manuel Maria Carrilho, feita em entrevista ao público, de "Precisamos de ideias novas, e só através do debate é que elas podem surgir".
O Partido Socialista parece ultimamente ter medo do debate, e escrevo parece em virtude de uma secreta esperança que ainda haja por parte de alguns a coragem de dizer não ao status quo instalado, concordado também que o "exercício do poder, que se reduz à obsessão de durar, nunca deu futuro a nenhum partido". Mas é esse exercício que tolda na sua grande maioria a prática da democracia e abafa, sabe-se lá porquê, o debate de ideias e produz, nalguns, a fobia da discussão sã e saudável de diferentes pontos de vista.
Sou, como sempre fui, um militante de causas, do debate de ideias e do desenvolvimento da comunidade onde me insiro e causa-me alguma perplexidade que os directórios políticos do nosso espectro político fujam a novas ideias e ao fortalecimento da democracia.
O que hoje se passa em África é um dos exemplos daquilo que a política deve ser: para as pessoas e para o desenvolvimento das suas condições de vida.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Parabéns Vitinho

O Vitinho completa hoje meio século.

O Vitinho era a personagem que dava as Boas Noites a todos os telespectadores há 25 anos! Aqueles que hoje andam na casa etária superior aos 30 devem lembrar-se, e bem, desta melodia: "Está na hora, da caminha, vamos lá dormir...".
O Vitinho esteve no ar durante 10 anos, entre 1986 e 1997, na RTP. Começou como mascote de uma empresa alimentar, que decidiu produzir uma animação para televisão, utilizando este boneco e adicionando uma música que dizia às crianças que estava na hora de ir dormir.
Entre 1986 e 1997 deram voz às músicas:
• Boa noite, Vitinho! (1986) - Dulce Neves
• Boa noite, Vitinho! II (1989) - Isabel Campelo
• Boa noite, Vitinho! III (1991) - Eugénia Melo e Castro & LSO
• Boa noite, Vitinho! IV (1992) - Paulo de Carvalho