quarta-feira, 23 de março de 2011

A sede de poder in planetasoares.com

Está marcado no calendário que hoje será o dia em que o Governo da Républica cairá do pedestal em que está e será marcada uma data para novas eleições.
Parece também que o nosso querido presidente diz que tudo isto aconteceu muito rapidamente e que não teve margem de manobra para actuar preventivamente. Como eu o compreendo. Não é a primeira vez, nem sequer a segunda e não será seguramente a última. A Maguia não o deixa vêgue televisão em casa à hoga do telejognal e pug isso não conseguiu segue pegueventivo.
Quem se ri de contente é o Passos Coelho e os seus pares.
Preparam-se para tomar de assalto um lugar que não é deles – curiosamente não se comprometem com coligações com o CDS antes das eleições, algo que deveria ser obrigatório para que o povo saiba quem pode colocar no poleiro – já avisou que isto está muito mal e que ainda vai piorar – terá sempre a desculpa que isto ainda estava pior do que pensavam e que por isso vão ter que reforçar as medidas de contenção – ding, ding, ding… sai um pacote de privatização para a saúde em Portugal – e quando a retoma finalmente vier – sim, há-de chegar – serão vistos como os salvadores da pátria.
Como não me considero (muito) estúpido, nem costumo ter (grandes) falhas de memória, digo já para não contarem comigo para dançar este baile.

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sexta-feira, 11 de março de 2011

Sobre esta coisa das gerações que no fundo todos devemos a Vicente Jorge Silva e não a Pacheco Pereira (mas até podia ter sido)

Do blogue "http://aummetrodochao.blogs.sapo.pt", de Inês Teotónio Pereira,  publico o texto colocado por esta, na íntegra, a 10 de Março, que acho nos merece relexão.
Assim aqui fica.

"A primeira vez que me colaram a uma geração foi na altura em que a PGA era motivo mais do que suficiente para os bloquistas do principio dos anos 90 mostrarem o rabo aos ministros da educação. Foi à conta deles, dos bloquistas, que um cavaquista chamou à minha geração, geração rasca (o criativo foi o jornalista, socialista Vicente Jorge Silva, que era na altura uma espécie de Emídio Rangel de Guterres, mas raramente aparecia da televisão e muito menos na RTP N).
Ainda hoje tenho a certeza absoluta de que o insulto não era para mim nem dirigido a ninguém que eu conheça; quase que posso jurar que Pacheco Pereira se referia justamente aos bloqusitas da época, que em vez de irem às aulas e depois para casa estudar para a PGA, passavam as tardes entre o café em frente ao liceu e a escadaria da Assembleia da República a mostrarem os rabos às câmara de televisão só para chatearem o Marques Mendes, que na altura mandava na televisão, e o Dias Loureiro, que mandava na polícia, e o Ministro da Educação, que já não me lembro quem era porque estava sempre a mudar.
Tenho ideia que as manifestações dos rabos também contestavam o pagamento das propinas, porque dantes só se pagava para estudar na Católica e na Lusíada, que eram as universidades dos meninos ricos e maus alunos, ou só uma coisa ou só outra, porque não tinham entrado no estado que era sempre a primeira escolha.
A geração rasca ainda fez a PGA, que era canja, andou na universidade, não pagou propinas, fez os cursos do Torres Couto e da Teresa Costa Macedo onde se ganhava trinta contos ou mais vindos da CEE (a CEE dava dinheiro ao Torres Couto e à Teresa Costa Macedo para fazerem cursos de fotografia em vez de ajudar as pescas, a agricultura, as pequenas e médias empresas e o sector produtivo) e começou a ir à neve.
A geração rasca cresceu saudável, porque quando as pessoas da geração rasca eram crianças não havia cereais de chocolate e ao pequeno-almoço comia-se pão com marmelada e leite que se fervia num fervedor (também não existiam gomas e os dentistas não distribuíam aparelhos para os dentes por tudo e por nada).
A geração rasca tirou cursos de economia, de gestão e de direito, foi trabalhar para os escritórios de advogados e para as empresas, fez contratos de trabalho, passou recibos verdes, fez biscates para ganhar dinheiro para poder sair à noite, mudou de empregos, comprou casas com os créditos à habitação da Nova Rede onde só trabalhavam homens (e não alugou casas por dois contos ou por quinhentos escudos como os pais que ainda tinham a lata de se irem queixar os senhorios porque a torneira estava pingar). Gastou dinheiro que se fartou, pagou impostos por todas as gerações passadas até aos anos 30 ou 40 e trabalhou e estudou que que nem um camelo. Ainda hoje é assim.
Quanto à música, bom, só o Abrunhosa é que adaptou um original para contestar e para vender mais discos, mais nada. Nem uma notinha.
A geração rasca, a minha, foi a melhor geração desde o final da II Guerra, no mínimo: sobrevivemos aos direitos adquiridos da geração de cima e agora temos de aturar a lamurias da geração de baixo que reclama direitos adquiridos.
Já a geração dos meus filhos, proponho, por exemplo, a Pacheco Pereira, que se comece desde já a chamar degeração que se raspa, porque se os nossos filhos não optarem por se rasparem daqui para fora, arriscam-se a ficar na terrinha a trabalhar numa coisa qualquer, que não tem nada a ver com o curso que tiraram ou com outro qualquer que exista, para pagar dívidas e para sustentar a geração à rasca que daqui a cinquenta anos ainda vai estar a mandar curriculos para a PT, a EDP, a RTP, a CP, a Galp, a CGD, a REN (entretanto, já falidas) e a ouvir os deolinda.
Inês Teotónio Pereira "

quinta-feira, 10 de março de 2011

A vida é feita de escolhas (2)

Como referido no post anterior a vida é feita de escolhas. No fundo estaremos tanto ou mais satisfeitos consoante a “arte” que tivermos na nossa escolha do caminho, no entanto há que considerar as escolhas que fazemos em cada momento e de como elas condicionam o futuro.
Os significados que atribuímos ao que fazemos são estruturantes do nosso bem-estar e da nossa riqueza enquanto pessoas. Um exemplo ilustrativo é a história de 3 operários a quem foi perguntado o que estavam a fazer. O primeiro respondeu que estava a assentar tijolos, o segundo que estava a construir uma escada e o terceiro que estava a colaborar na construção de uma catedral. Há assim significados diferentes para cada um de nós para aquilo que fazemos e somos nós quem os pode escolher. Esta escolha marca de forma significativa o nosso percurso e faz toda a diferença.
Aqueles que tiveram um passado orientado e fechado dentro de determinados limites, passam o tempo a querer mudar o que fizeram, a lamentar-se, a culpar outros, enquanto outros procuram soluções, não confundindo a aceitação com o conformismo e procuram agir de acordo com as oportunidades.
Nas escolhas da vida muitos há que se prende a dogmatismos, á arrogância ou á negação e ficam presos ao passado, sendo basicamente e profundamente influenciados pelas crenças e valores. Coloca-se pois a aqui a questão: intervir e mudar ou ser passivo? Temos a consciência de que aquilo que obtemos está directamente relacionado com as escolhas que fazemos.
A grande escolha final é de que é possível mudar e cintando Jean Paul Satre “Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim."