sábado, 18 de fevereiro de 2012

Um pássaro numa gaiola canta de alegria ou de lamento?

Há frases que nos deixam a pensar. Frases na maioria das vezes banais mas que encerram um significado, e até uma filosofia, que depois de dissecadas são autênticas lições e princípios de vida.
Uma dessas frases que me deixou a pensar foi-me dita de forma metafórica, como acontece na maioria dos casos em que as frases encerram significados que se aplicam á vida. A dita  frase foi a seguinte: “quando prendo um pássaro numa gaiola, não sei se canta de lamento se de alegria”.
A mania que o temos de ter junto de nós as coisas belas, retirando-as dos seus lugares próprios, pode retirar toda a beleza a tais coisas. Aplicando-a á natureza, e ás aves, Ao queremos trazer para dentro de casa, por exemplo, um pássaro, cujo lugar natural é ao ar livre, acabamos por aprisionar a verdadeira natureza não a deixando fruir no seu espaço “natural”. O lugar do pássaro é ao ar livre, onde pode esvoaçar, cantar com alegria e onde pela primeira vez o vimos, sendo que achamos que tendo-o junto de nós, domesticado com comida e água, o torna mais feliz. Não, ele não é mais feliz por isso. Acho até que todos perdem. Perde a ave que não está feliz, bem pelo contrário, e perdem o carcereiro que deixou de ver uma ave feliz em plena natureza, embora julgando que pelo seu cantar e por lhe fornecer comida e água ela está feliz. Há alguém que goste de estar preso? Penso que não.
Se aplicarmos esta frase ao ser humano, então a multiplicidade de situações ao longo da vida são tantas, que seria uma enciclopédia nunca finalizada, a dissertação e a aplicação daquela frase a cada uma das situações, mas aplicada no geral, é tal e qual como se a aplicássemos a qualquer ser vivo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Os outros

Os outros são uma figura, embora de muitos rostos, sem rosto. Quando há que culpabilizar alguém, a culpa é sempre dos outros. Sejam estes outros o anterior executivo, ao mercados, a conjuntura, etc.
Todos conhecem pelos menos um responsável político que nunca tem culpa de nada daquilo que aparece errado, porque essa é dos outros.
Estes campeões da vida são sempre vítimas  de todos. Se for um autarca, principalmente presidente de câmara, a culpa é do Governo ou de um anterior executivo. Para o Primeiro-Ministro a culpa é do anterior executivo, dos mercados, da conjuntura..de alguém. Um dia estes também serão os outros e continuamos assim neste circulo vicioso.
Há ainda uns outros, que no principio eram do melhor que existia porque foram escolhidos pelo “chefe”, mas que com o tempo servirão para desculpar as asneiras de quem manda e passam a ser também daqueles que só servem para atrapalhar as boas práticas do chefe. Embora quem os escolheu soubesse desde sempre, que tal como ele, a incapacidade era a sua melhor qualidade.
A incapacidade de olhar para si mesmo e analisar que é responsável pelo sucesso ou fracasso não é para todos, porque afinal existem sempre…os outros.
Tudo serve para explicar a incapacidade, muitas vezes até uns quaisquer deuses, que juntado a sua força à capacidade destruidora dos outros, são terríveis na destruição daquilo que são os grandes objectivos de quem nunca tem culpa.
As decisões erradas doem, mas o que mata não é a decisão antes a incapacidade de ver que a decisão foi a errada e atirar para os outros, os tais que são sempre os maus da fita, as culpas. A culpa é sempre dos outros.
Estas são pessoas de visão limitada, que facilmente julgam, não analisam e não assumem responsabilidades e atirar para os outros a culpa não resolve os problemas.
Quando se usa este tipo de discurso (quem não conhece um responsável político que não o usa) tem-se uma visão muito limitada, até do mundo, e isso limita a vida e apenas se vê uma forma de resolvera as coisas, a sua própria forma de resolução, justificar com os outros.