domingo, 15 de maio de 2011

Esquerda

Está perto mais um acto eleitoral para a eleição directa dos deputados à Assembleia da República, e de forma indirecta para a escolha do Primeiro-Ministro e do Governo de Portugal. Estas eleições acontecem rodeadas de uma crise económica e financeira e assentes no debate da ajuda externa que o País solicitou.
Mas o Portugal de hoje tem alguma coisa a ver, por exemplo,  com o Portugal da segunda metade do Século XX? Nos anos 50 e 60 o País era atrozmente  desigualitário.
Ao longo destes 37 anos de democracia o País mudou. Mudou, e muito, e com ele fomos percebendo que nenhum País pode desenvolver-se e ser feliz se a grande maioria dos seus concidadãos forem pobres.
Mesmo sabendo-se hoje em que há novas formas de pobreza, que pobres sempre haverá, a preocupação com as desigualdades sociais deve ser uma das grandes preocupações do novo Governo, assim como a valorização do mérito.
A redução das desigualdades sociais deve ser um dos pilares do novo executivo, mas com medidas sérias e não somente nos discursos de campanha. Não basta apresentar documentos  que reflectem estudos onde se concluem que a meta em 2020 é que a pobreza diminua em 200.000.
Não se pode viver em ambiente de cinismo político constante, e onde ingenuamente vamos ouvindo que se luta por uma sociedade mais justa ou, onde nas entrelinhas se vai afirmando, que os pobres apenas existem porque não querem trabalhar. Este cinismo mina a coesão da sociedade.
Estas eleições abrem um espaço á esquerda, á esquerda democrática ou social democracia, como se lhe queira chamar, uma nova esquerda (talvez uma 4.ª via) que não se feche no interior dos aparelhos partidários e se abra a novas ideias de manutenção e reforço do Sistema Nacional de Saúde, da Educação Pública, da Segurança Social…etc.
Mas para isso também é preciso que a esquerda democrática se refunde, e as próximas legislativas também vão ser isso mesmo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

E o burro sou eu?

A frase atribuída a LUIS FILIPE Scolari, teve origem numa conferência de imprensa, após a qualificação de Portugal para o Europeu de Futebol.
Prático e eficaz LUIS FILIPE Scolari levou a água ao seu moinho e cumpriu, com pragmatismo diga-se, o objectivo a que se propusera. A novela não passou disso mesmo, de uma novela. Ainda sofri com a hipótese de apuramento dos finlandeses, mas tudo acabou em bem e lá fomos ao europeu de Futebol.
O que se passou foi perfeitamente normal  e não foi mais que o pragmatismo do senhor LUIS FILIPE Scolari… sendo que  o jogo está muito para além das quatro linhas. É um mundo paralelo cheio de estórias.
Mas embora reconheça os sucessos de LUIS FILIPE Scolari confesso que  não me tira saudades de outras selecções, mas também essas fazem parte de outras novelas.
Para já a única coisa que me apetece dizer é: “E BURRO SOU EU?”.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

É a política

A um mês de eleições legislativas pouco, para não dizer nada, se conhece sobre as propostas dos principais partidos principalmente daqueles que têm por objectivo primeiro a governação do País.
Desde que o País sabe que tem de ir a eleições, os órgãos de comunicação social tem-nos presenteado com um conjunto de fait-diver ou de uma excessiva atenção á troika, que não nos deixam chegar ao essencial.
O Futebol também tem dado uma ajuda ao desviar os nosso olhares na procura de sucessos que nos coloquem nos lugares cimeiros das tabelas internacionais. É a expectativa de pela primeira vez na história duas equipas portuguesas estarem na final da Liga Europa, é o FC Porto a virar o resultado na Taça de Portugal, é o inimitável Mourinhos…etc.
Ou então são almoços, pouco (ou não) prováveis, de apoio a este e àquele candidato que são uma total (suposta) surpresa para as televisões. São maus? São bons? Não sei…são apoios. Uns gostam, outros não.
Independentemente da razão, ou mesmo de um alargado conjunto de razões, da escolha que venhamos a fazer a 5 de Junho, não será uma escolha para a vida, tão somente para quem nos representará no Parlamento e no Governo nos próximos tempos, mas que não deixa de ser muito importante.
Os partidos, pilares da nossa democracia, defendem ideologias diferentes que os distingue uns dos outros na forma de abordarem a uma mesma questão. Ora é essa diferente visão que os deveria levar a apresentar propostas para a resolução dos problemas estruturais, e não de conjuntura, do País e a arranjarem soluções de acordo com a visão que têm da sociedade.
Também cada um de nós, cidadão livre, se identifica mais ou menos com determinada ideologia ou modo de olhar o mundo e definimos a nossa escolha política baseada nessa ideologia ou olhar sobre os problemas e proposta de resolução.
Tudo isto é natural, e até mudamos muitas vezes de opinião, e quem diz o contrário cometerá um erro por ser teimoso. Pessoalmente, mudo de opinião, quando depois de analisar a questão vejo que este ao aquele caminho não é o mais correcto, atendendo ao inicialmente escolhido. É a vida!
O problema, hoje, é que não conhecendo os portugueses as propostas dos partidos políticos, tudo se resume ao voto no partido onde habitualmente o faz. O voto no partido A ou B, nestas eleições ou até mesmo em eleições autárquicas, poderá nada ter a ver com ideologia, bem pelo contrário.
Quando exercermos o nosso direito a 5 de Junho teremos de ter percebido que estamos a votar num gestor, que terá por missão gerir uma equipa que faça o País sair da situação financeira em que se encontra, e não poderemos seguir uma prática cega do seguidismo de interesses e não conseguir ouvir os outros e aceitar as suas ideias, por muito diferentes que sejam das nossas, e persistir na teimosia, o que acabará numa má escolha e na persistência do erro.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Hoje não me apetece escrever

Hoje não me apetece escrever. Falta de assunto? Não.
Podia, hoje que José Sócrates apresentou numa intervenção ao país os termos da ajuda externa, escrever sobre isso ou escrever sobre os apoios que tem recolhido junto de autarcas, mas não. Não me apetece.
Hoje, simplesmente não.