sábado, 30 de outubro de 2010

O ano em que Maradona nasceu

1960 foi o ano em que nasceu aquele que é para muitos, a par de Pelé, um dos melhores futebolista de sempre, Maradona.
Mas o que passava em Portugal, em termos desportivos, nessa época?
O defesa benfiquista Ângelo pôde voltar a jogar após cumprir um ano de suspensão.
O Sporting conseguiu a terceira vitória consecutiva no campeonato nacional de corta-mato.
Nesse anos, pela primeira, um luso-brasileiro vestiu a camisola das quinas. Chamava-se Lúcio e actuava no Sporting.
O Sporting foi campeão nacional de Basquetebol
Pela 8.ª vez Portugal é campeão do mundo de hóquei em patins.
O Benfica sagra-se campeão nacional de futebol, e ao longo de todo o campeonato sofre apenas uma derrota, na última jornada, em jogo disputado no estádio da luz frente ao Belenenses. O resultado foi de 1-2. E a classificação final foi: 1.º Benfica; 2.º Sporting; 3.º Belenenses; 4.º FC Porto; 5.º CUF; 6.º Académica; 7.º Guimarães; 8.º Leixões; 9.º Covilhã; 10.º Lusitano de Évora; 11.º Atlético; 12.º Braga; 13.º Setúbal e 14.º Boavista.
O melhor marcador do campeonato foi o vimaranense Edmundo ao apontar 25 golos.
O Belenenses conquistou a sua 2.ª Taça de Portugal. Os comandados de Otto Glória venceram o Sporting por 2-1.
José Maria Pedroto foi o primeiro classificado estrangeiro num curso de treinadores da FFF.
A juntar ao titulo de corta-mato, o Sporting sagra-se também campeão nacional de atletismo em pista.
A XXIII Volta a Portugal em bicicleta teve como vencedor Sousa Santos, do FC Porto.
Para Portugal, os Jogos Olímpicos de Roma só não foram de completa desilusão porque os irmãos Quina conquistaram a medalha de prata na vela, na classe “star”.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Trova do vento que passa

Trova do vento que passa é um poema de Manuel Alegre, cantado por Amália ou Adriano Correia de Oliveira, que merece ser lido e que se faça sobre o seu "conteúdo" uma reflexão.

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Militância 2.0

João Nogueira Santos é um nome perfeitamente desconhecido para a grande maioria dos portugueses. Colado ao nome está um homem que o expresso, na sua edição de 16 de Outubro, deu a conhecer, assim como as suas ideias sobre a política.

Há 2/3 anos num jantar de amigos e no meio de uma discussão sobre política, deu consigo a questionar-se sobre a sua geração, a sua participação na sociedade e a crítica aos partidos políticos.
Para este homem, a sua geração (grosso modo dos 35 aos 50 anos) tem sido muito bem tratada pela democracia e deve muito aos partidos políticos. Embora poucos dessa faixa militem em algum partido, como podem então criticar os partidos se não participam.
Em Fevereiro lançou no faceboock o movimento “Adere, vota e intervêm dentro de um partido. Cidadania e mudança” e conta já com mais de 3000 membros.
Ao expresso diz considerar que os partidos estão esvaziados, desqualificados e funcionam em circuito fechado, pelo que defende o caminho inverso, o de adesão aos partidos, onde passe a existir uma imensa maioria de militantes, com vida fora dos partidos, e que leve os problemas da sociedade para o seu interior, e assim possam ajudar a eleger as pessoas capazes de responder aos desafios da sociedade.
Uma espécie de militância 2.0, o movimento adopta como lema “A penalização por não participares na política é acabares por ser governado pelos teus inferiores”.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Será a crise uma oportunidade para pensar o futuro de forma colectiva?

O movimento cívico 'Cidades pela Retoma' pretende dinamizar a reflexão sobre o 'papel das cidades na retoma económica' e estimular a construção de uma 'agenda local para a retoma', um conjunto de iniciativas de 'baixo-custo' e 'alto valor acrescentado' (nos domínios da economia, tecnologias, arte/cultura, espaço público, mobilidade, ambiente, solidariedade), para animar a vida económica e social das nossas cidades (http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/ e http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma).

Para o desenvolvimento deste processo propõe-se uma metodologia com duas etapas. Numa primeira, irá procurar-se o inicio de uma reflexão sobre o tema, convidando especialistas reconhecidos na matéria para se perceber o potencial e limitações da abordagem. O debate arranca no Porto (nos próximos dias 20 e 21 de Outubro, no Clube Literário do Porto - http://www.acdporto.org/).  Poderá haver outros eventos, com o mesmo carácter, noutras cidades do país (neste momento já existem pelo menos duas outras cidades que provavelmente o irão promover). Numa segunda etapa, seria interessante que se criassem grupos dinamizadores do movimento em várias cidades do país que iniciassem reflexões focalizadas no papel específico de cada cidade na 'retoma económica’.
Existe a consciência que o desafio é muito ambicioso e perante a letargia cívica e o desânimo geral pode nunca chegar-se à segunda etapa.
Contudo, este momento de dificuldade pode ser uma oportunidade para estimular um novo olhar sobre as cidades e uma nova forma de pensar o futuro de forma colectiva (qualificar a agenda de preocupações, juntar saberes, valorizar o conhecimento, envolver pessoas, qualificar processos).

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Vale a pena pensar

O meu amigo José Pardal enviou-me um mail, onde anexava um ficheiro pps, que trazia uma mensagem que não posso deixar de aqui sumariar.
«Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar o seu discurso de estreia na Câmara dos Comuns, perguntou a um velho parlamentar, amigo do seu pai, o que tinha achado do seu desempenho.
O velho parlamentar pôs a mão no ombro de Churchill e, em tom paternal, disse-lhe: “Meu jovem, acabou de cometer um grande erro. Foi brilhante no seu primeiro discurso e isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta!”.
Ali estava uma das melhores lições que o velho sábio pôde dar ao pupilo que se iniciava numa difícil carreira.
Nunca será demais lembrar António Aleixo que dizia “ Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que chego a pensar que a burrice é uma ciência”.
A maior parte das pessoas acasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência.
Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados com a conquista de posições. Sabem ocupar os espaços deixados vazios pelos talentosos que não revelam o apetite do governo. Mas é preciso considerar que esse medíocres, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar as suas posições, com verdadeiras muralhas por onde os talentosos não conseguem passar. Em todas as posições encontramos dessas fortalezas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos.
Eles conhecem bem as suas limitações e sabem bem quanto lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna às costas… enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais dotados resolvem os problemas, os medíocres repudiam-nos para se defenderem. É um paradoxo angustiante!
Infelizmente temos de viver com essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida.
É assim, sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues “Finge-te de idiota e terás o céu e a terra”. O problema é que os inteligentes costumam brilhar! Que Deus os proteja dos medíocres!...»

sábado, 9 de outubro de 2010

República

A República Portuguesa comemorou a 5 de Outubro de 2010 a bonita idade de 100 anos. Um século. À escala geológica ou da humanidade uma centena de anos são insignificantes, mas se olharmos para este século e tivermos como referência os estado democráticos, a situação altera-se radicalmente.
Começa agora a conhecer-se um pouco mais sobre a implantação da República e aquilo que foi a gestão política na 1.ª República, fruto de um distanciamento temporal e de um aumento de interesse por aquele período da nossa história colectiva. Aquilo que foram as suas virtude, os seus defeitos e os factos que levaram à sua “enterro fúnebre”, com o golpe militar de 28 de Maio de 1926.
A sua “morte” iniciou-se quando Machado dos Santos passou a criticar o caminho da recente criada República Portuguesa, e acentuou-se, quando em 1912, António José de Almeida e Brito Camacho fundaram, respectivamente, o Partido Republicano Evolucionista e o Partido Republicano Unionista, sendo o vazio ideológico foi o seu “coveiro”.
Nestes tempos de comemoração vou lendo, vendo e ouvindo muitas opiniões sobre a República, a antiga e a actual. Passados os festejos de 5 de Outubro a melhor homenagem que se pode fazer ao seu centenário é uma reflexão sobre o estado da República, no clássico conceito que envolve um conjunto de indivíduos, livres e organizados sob leis, de como se poderá melhorar a sua organização e fortalecer este conceito.
À presidência teria ficado bem despoletar esta reflexão.