domingo, 30 de dezembro de 2012

(Re)novar 2013

Muito se tem falado e escrito nos últimos tempos sobre refundar…refundar o estado social, refundar a atuação política, refundar…
O prefixo RE entrou nas conversas diária, nos jornais, nas televisões nas conversas de café, enfim, este prefixo de origem latina, que pode ter três sentido, nomeadamente os de repetição, reforço ou retrocesso, reentrou definitivamente nas nossas vidas. 
Centremo-nos no sentido da repetição, ou de tornar a fazer qualquer coisa, por exemplo repensar (pensar novamente). Este sentido de repetição ou de voltar a fazer tem uma premissa, a de fazer melhor. Este é apenas um exemplo (voltaremos ao prefixo re em futuro post) e agora que 2013 está mesmo aí, depois de um 2012 muito mau a vários níveis, é altura de REnovar a esperança, dito de outra forma, é a altura de voltar a ter esperança e 2013 é ano para isso.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Liderar a mudança

Tantas vezes se fala na necessidade da mudança no interior dos partidos, tornando-os mais abertos á sociedade e aos cidadãos, e não somente a uma elite. Mas para que haja mudança, esta terá de ter a defesa dos dirigentes partidários, já que são eles quem propõe, logo quem define, o que se deve mudar.
A verdade é que existe grande relutância à mudança, ou porque isso implica mexer em lugares e no ego pessoal de alguns dirigentes políticos ou por falta de capacidade destes em entenderem que a mudança reforça a democracia e os partidos.
Quando se propõe alguma mudança, os dirigentes partidários tendem a concentra-se nos pormenores e não na essência da mudança, afastando assim á participação. Cada dirigente que integra a mudança deve participar nessa alteração assumindo com ética e responsabilidade o seu lugar no processo, o que favorece os próprios e apela á participação cívica de muitas pessoas anónimas, fazendo desta forma que estejam dentro dos partidos, onde as coisas de decidem e onde assenta na sua maioria a democracia.
Para mudar o atual estado das coisas ainda há um longo caminho a percorrer, mas acima de tudo são precisos lideres que assumam a rutura e abram os partidos á participação, mudando desta forma o mais simples, mas o mais essencial em democracia, a participação.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ética na política precisa-se!

As bases da nossa democracia centram-se nos partidos políticos, que estão hoje profundamente desacreditados, tendo o cidadão uma generalizada desconfiança e descrença nos seus dirigentes, o que facilmente se percebe, e a extrapola para a política e para a participação cívica.
Hoje, mais do que nunca, não só fruto da crise que nos afeta, mas também pela rápida mudança global que sentimos diariamente, faz todo o sentido que a atividade política, e quem a exerce, recupere a dignidade e a ética de tal exercício.
O exercício de cidadania, que os dirigentes políticos efetuam em nome da causa pública, deve ser alicerçado na ética sem qualquer tipo de complexo por parte destes.
A democracia é um regime de avaliação de resultados, não devendo no entanto os mesmos se conseguidos a todo o custo, e usados como um fim de baixa política, exercida com falta de ética e contra as pessoas.
Quando os procedimentos são tudo menos de seriedade, os dirigentes políticos demonstram não estar á altura dos desafios, contaminando todo o processo, alimentando assim o descrédito na política e naqueles que são os seus agentes.
Procedimentos menos claros demonstram, também, um não estar á altura de cargos, participação democrática, ou exigências da vida em comunidade.
A mudança de atitude recomenda-se e necessita-se, assim como se necessita o uso de ética na política. Difícil? Sim, mas não impossível.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Exigência e ambição

A preguiça dos cidadãos e o seu alheamento e afastamento do processo político e público, assim como da decisão de questões globais, leva a uma urgente necessidade de alteração de paradigma e de exigência e ambição pessoal no futuro.
Maior exigência de nós próprios e dos outros é aquilo que se pede. Ser parte da solução, militando nos partidos e transformando-os a bem da sociedade é um pequeno esforço de cada, que trará frutos a todos.
Na maioria das vezes, senão sempre, não olhamos para soluções diferentes e alternativas mais fortes que as proporcionadas por ligações duvidosas entre pares, e colocadas em lugares de decisão sem o voto expresso dos militantes.
Pôr em prática a cidadania também é militar, e ser exigente com quem é eleito é mais um passo na direção de se ter uma democracia saudável. Ambição também porque terão de ser os partidos, primeiro internamente e depois externamente, a demonstrarem que a renovação e as mudanças fortalecem as decisões e as práticas democráticas.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Há Alternativa(s)

Fui dos mais de 4000 subscritores do documento “Resgatar Portugal para um Futuro Decente” e um dos 1800 delegados ao “Congresso Democrático das Alternativas”, onde no dia 5 de Outubro, na Aula Magna da Universidade de Lisboa, congregando cidadãos e cidadãs de diferentes quadrantes da sociedade portuguesa, foram debatidas as consequências económicas, sociais, políticas e culturais da adoção do Memorando de Entendimento e das políticas de austeridade.
 À margem dos partidos, sendo que Partido Socialista, Bloco de Esquerda e Renovadores Comunistas estiveram presentes, e com respeito por estes, foram debatidos temas que são uma alternativa à política de empobrecimento que arrasta, hoje, Portugal para os antípodas do desenvolvimento.
 Assistimos hoje á degradação da democracia com uma crescente desconfiança dos cidadãos nos sistema político e nos seus agentes, sendo que o divórcio entre ambos favorecem o aparecimento de tendências autoritárias e populistas, e tudo o que cidadãos livres desejam é precisamente o contrário.
 Uma das grandes propostas deste congresso, pensamos que amplamente atingida, foi a de “trabalhar para uma plataforma de entendimento o mais clara e ampla possível em torno de objectivos, prioridades e formas de intervenção”.
 No congresso ficou expressa a vontade de diálogo entre pessoas com pontos de vista, filiações partidárias e posições político-ideológicas distintas e revelou a sua consciência da necessidade de convergência.
 A alternativa política de que precisamos tem de resultar da convergência das forças e movimentos políticos e sociais e para ser ganhadora, esta convergência, terá de ser ampla, e para ser confiável terá de assentar em compromissos claros e assumidos por todos.
 A política é, como alguém disse, a arte dos compromissos e do congresso saiu a ideia que há alternativa, em democracia, ao actual estado, sendo que o diálogo e a capacidade de compromisso são primordiais para que tal aconteça.
 No entanto tal só será possível se os partidos, base do nosso sistema político, tiverem a capacidade de alargar os mecanismos de participação dos cidadãos na deliberação política, não se fechando no caciquismo reinante daqueles que detêm o poder, diríamos um pobre poder, porque sem participação não há um efectivo poder.”

terça-feira, 1 de maio de 2012

Congresso EcoSaldo (17 e 18 de Maio)

(http://www.condominiodaterra.org/pt/campanha-rio20/congresso-ecosaldo/)
Segundo a estratégia “The Road to Rio+20 – For a development-led green economy”, das Nações Unidas, “O objetivo é provocar a discussão de novas ideias e inspirar a futura conferência para que se crie um consenso quanto aos passos seguintes”. Uma das questões estruturais que tornam obtenção de acordos em matéria ambiental numa verdadeira “impossibilidade política”, é o problema da dispersão dos encargos (débitos) e benefícios (créditos) ambientais por todo o planeta, denominados como externalidades ambientais negativas ou positivas, e que são “identificadas pela economia como uma “falha de mercado”.
Partindo da proposta do reconhecimento de um “Património Natural Imaterial da Humanidade” relativamente aos sistemas Climático e Oceânico, é possível ultrapassar o actual “buraco negro” para onde se escapam factores vitais para a nossa vida capturando e internalizando estas “externalidades” nesse património comum.
Mas para que este Património Comum não constitua apenas uma declaração proclamatória bem intencionada, é necessário chegarmos a acordo quanto a um sistema de medir, comparar e valorar estes benefícios e encargos que se dispersam por toda a Humanidade.
Para se atingir, em 2020, o objetivo do Plano Estratégico para a Biodiversidade adoptado na CBD COP10 de redução da pegada ecológica tendo como referência a capacidade biológica na Terra, é necessário colocar em prática o princípio da responsabilidade comum mas diferenciada. O apuramento de todas as dimensões destas diferentes responsabilidades, implica que não só os débitos estejam em cima da mesa das negociações, mas também os créditos. Para isto ser possível teremos de usar uma mesma métrica a partir da qual seja viavél obter um EcoSaldo. Se formos capazes de sinalizar com um preço cada unidade desta métrica comum, poderemos encontrar uma plataforma de justiça e reciprocidade, onde procederemos ao acerto de saldos.
A utilização de uma métrica e valor comuns, pode ainda contribuir de forma decisiva para ultrapassarmos os estigmas das diferentes responsabilidades históricas que nos impedem termos futuro, e que é um dos problemas centrais da Resolução 64/236 da Assembleia Geral da ONU.
Com a realização do congresso EcoSaldo – a Quercus e todos os parceiros que constituem o projeto Condomínio da Terra, pretendem contribuir e inspirar o caminho do Rio+20, com uma abordagem que visa dar uma dimensão operacional à Declaração da 64ª Conferência Anual das Nações Unidas: “quando a atual economia contribui para a desigualdade, destruição e ganância, deve ser substituída por uma economia que se preocupa com a comunidade humana da Terra.”
Queremos que este congresso seja um espaço de discussão aberta sobre a forma de operacionalizarmos uma contabilidade das nossas relações, cruzando o local com o global, de forma a dar resposta às questões de reciprocidade, confiança e previsibilidade, que Elinor Ostrom considera estruturais para alguém estar disposto a alterar o seu comportamento, no contexto de uma ação coletiva.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mudar de vida

Comemora-se hoje o 38.º aniversário do 25 de abril de 1974. Desde a madrugada daquele dia até hoje muito se passou, e da aurora da esperança chegamos ao crepúsculo da desacreditação, mas não podemos deixar de analisar e refletir sobre este período e o que ele pode significar para o nosso futuro coletivo.

Este também deve ser, um de muitos, momentos de reflexão sobre o que fizemos enquanto parte de um todo e o que ainda poderemos fazer. Todos temos a nossa quota-parte do passado assim como a teremos no futuro, seja ela por omissão ou por estar disponível.
Eu continuo a acreditar que é possível melhorar e colocar o esforço individual de cada um ao serviço do coletivo e melhorar assim a situação de desenvolvimento onde nos encontramos.

Por isso há algum tempo fui falando com algumas pessoas que me merecem toda a consideração e propus-lhe a constituição de um movimento cívico (que poderia vir a designar-se MUDE - Movimento de Unidade e Desenvolvimento de Estremoz), transversal aos partidos políticos e de génese popular, assente em todos aqueles que achassem que poderiam contribuir positivamente para o futuro do concelho, e que tinha, e penso que mantêm, toda a pertinência em constituir-se.

Uns por umas coisas e outros por outras e a ideia adormeceu, mas tal como na alvorada de 25 de abril de 1974, também hoje, é preciso acordá-la e dar o nosso contributo.

O MUDE tinha como objetivos de contribuir, através da intervenção cívica, para o aprofundamento da democracia participativa inscrita no artigo 2º da Constituição da República, para a renovação geral da nossa vida democrática e para o cumprimento das metas morais e sociais da Constituição.

Pretendia ser um espaço de cidadania do qual poderiam beneficiar as instituições democráticas e os próprios partidos políticos, e promoveria debates sobre temas relevantes tanto de âmbito local como geral e dinamizaria a realização de petições, ações populares e iniciativas legislativas de cidadãos, com vista à concretização da melhoria da qualidade de vida dos cidadãos deste concelho.

Hoje, mais do que nunca, acho que há mesmo a necessidade de debate daquilo que queremos e para onde queremos ir. Hoje mais que há seis meses, é preciso olhar em frente a encontrar soluções.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Os electrões não têm nada de vida

Albert  von Szent-Gyoryi (1893-1986), foi um cientista de origem húngara, naturalizado norte-americano, e que ganhou o Prémio Nobel da Fisiologia e da Medicina em 1937. Este cientista foi galardoado pela descoberta da vitamina C e pelo seu contributo para que fosse percebido o ciclo do ácido cítrico, um processo fundamental na respiração aeróbia. Das muitas áreas de investigação onde trabalhou, escreveu nas suas memória:
Na minha busca pelo segredo da vida, comecei as minha investigações em histologia. Insatisfeito com a informação que a morfologia celular me poderia dar acerca da vida, virei-me para a fisiologia. Achando a fisiologia demasiado complexa, fui para farmacologia. Ainda considerando a situação demasiado complicada, virei-me para a bacteriologia. Mas as bactérias eram ainda muito complicadas, então,  desci até ao nível molecular, estudando química e química-física. Depois de 20 anos de trabalho, fui levado a concluir que, para compreender a vida, temos de descer ao nível dos electrões e ao mundo da mecânica ondulatório. Mas os electrões são só electrões e não têm nada de vida. Evidentemente, pelo caminho perdi a vida; ela escapou-se-me por entre os dedos.

sábado, 14 de abril de 2012

Imóveis devolutos e desagravamento fiscal (IMI) – uma proposta para a sustentabilidade cultural da cidade

Imóveis devolutos e desagravamento fiscal (IMI) - Uma proposta para a sustentabilidade cultural da cidade, é um texto de Rui Matoso, do Movimento Cidades Pela Retoma, publicado no "Badaladas" e que abaixo se transcreve.
Enquanto as “oportunidades na regeneração urbana” não encontram os fundos imobiliários que permitam a reabilitação das casas e a consequente actualização das rendas e se agilizem os tão propalados despejos dando origem a um possível fenómeno de “gentrificação” (substituição da população residente fragilizada económica e socialmente por outra nova com rendimentos superiores), os proprietários de imóveis devolutos continuarão a ser sancionados através do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) - pois, a tributação fiscal sobre o imóvel, se o mesmo for considerado devoluto ou em ruínas, tem um agravamento para o dobro ou triplo da taxa de IMI (Código do IMI, artº 112º, na redacção do artº 93.º da Lei 64-A/2008, de 31 de Dezembro), sendo que os municípios podem ainda «majorar até 30% a taxa aplicável a prédios urbanos degradados, considerando-se como tais os que, face ao seu estado de conservação, não cumpram satisfatoriamente a sua função ou façam perigar a segurança de pessoas e bens» (idem).
Com estas normas jurídicas, entre outras, pretende o legislador combater a opção especulativa dos proprietários de deixar degradar os imóveis até à ruína, na expectativa de maiores ganhos futuros.
Mas, uma forma de evitar a tributação fiscal do IMI em dobro é fazer com que o imóvel deixe de ser considerado devoluto, bastando para tal que exista prova efectiva do seu uso, através por exemplo da existência de contrato de electricidade.
A nossa ideia é muito simples e pretende responder a duas situações concretas: o aumento de espaços devolutos e o aumento de projectos artísticos e culturais sem espaço para se desenvolverem e encontrarem o seu público de forma “alternativa” e não “institucionalizada”. Esta proposta poderia ser aplicada inicialmente na área de reabilitação urbana do Centro Histórico e limítrofes, mas será igualmente útil se aplicada a outras zonas urbanas.

Os benefícios para os proprietários são diversos, tais como: a redução do IMI para a taxa normal; afastar intrusos e actos de vandalismo nos imóveis abandonados, ganho de prestígio social e conquista de visibilidade para o seu prédio, aumento do potencial de rentabilidade, ...

Os benefícios para a cidade incluem: aumento da diversidade cultural e criativa e por conseguinte da sustentabilidade do ecossistema cultural; expansão e intensificação da confiança interpessoal; novas práticas de sociabilidade e maior capacidade de resiliência e coesão social; produção de conhecimentos e aprendizagens mútuas, incremento da visibilidade de propostas artísticas pouco conhecidas; dinamização de novas áreas criativas; maior envolvimento de produtores e públicos na cena cultural; visibilidade mediática,...

Os benefícios para os proponentes de projectos: alargamento da base social e cultural dos proponentes, integrando minorias e imigrantes; mais oportunidades de participação na vida social, cultural e artísticas; possibilidade de obtenção de receitas; melhoria das capacidades de intervenção pública (empowerment) e sentimento de pertença à comunidade,...

As Juntas de Freguesia e a Câmara Municipal, através da intervenção conjunta das divisões de urbanismo e cultura, seriam parceiros fundamentais, colaborando através da agilização de procedimentos e outras diligências, nos contactos a estabelecer com proprietários e como garantes dos direitos dos mesmos na resolução dos protocolos de cedência temporária dos imóveis.
Esta iniciativa teria de tomar a forma de “programação de espaços em rede” com uma gestão integrada dos diferentes projectos, favorecendo desse modo uma percepção de escala e a notoriedade necessária.
Para a levar à prática sugerimos os seguintes passos:

  • Verificar quais os prédios devolutos mais aptos -que não necessitem de obras volumosas- a serem usados para fins culturais, tendo em conta a situação actual da sua propriedade (registo predial) e criar um ficheiro dos mesmos;
  • Advogar junto dos proprietários a iniciativa, os benefícios e a metodologia da mesma, fornecendo garantias da salvaguarda dos seus interesses;
  • Criar uma bolsa de propostas de duração temporária (projectos artísticos nas diversas áreas, espaços expositivos, espaços experimentais, espaços de formação e debate,...)
  • Executar as obras consideradas necessárias para obtenção da respectiva licença de utilização (não habitacional), com a participação dos proponentes de projectos e apoio técnico das autarquias;
  • Assinatura de protocolos/contratos entre as partes e instalar os projectos temporários nos espaços mais afins às suas características, podendo caso seja pertinente criar efeito de cluster/fileira de actividades;
  • Garantir aos proprietários a redução do IMI visto o imóvel deixar se se considerar devoluto;
  • Implementar um plano de comunicação e marketing adequado `”rede de espaços culturais”.

O Pai Natal de Chocolate

Esta é uma história triste. Hoje, longe do espírito natalício , quando o tempo é mais dado á solidariedade, é menos intensa que naquela época do ano. Como todas as histórias esta também começa por “Era uma vez…”, e reza assim:
Era uma vez, numa pequena cidade, no tempo em que ainda não havia grandes superfícies comerciais e todas as lojas tinham uma montra que funcionários e proprietários decoravam com muito afecto. Tempos antes do dia de Natal, no inicio do mês de Dezembro, as lojas expunham brinquedos e guloseimas de chocolate.
Havia uma que todos os anos colocava religiosamente no centro da montra um grande e bonito Pai Natal de chocolate. Todos os dias em frente daquela montra um menino ali ficava  longas horas a comtemplar aquele  bonito Pai Natal. Entre ambos, o vidro da montra, e por trás o dono da loja, também ele todo os dias no mesmo sitio sorria cinicamente ao menino, lembrando-lhe que lhe era inacessível o Pai Natal.
Mas todos os dias, chovesse ou fizesse Sol, mesmo sabendo que nunca teria aquele Pai Natal, o menino ali passava e parava a contemplar, a apreciar e a desejar aquele Pai Natal de chocolate e todos os dias, todos os anos,  se repetia o ritual.

sexta-feira, 30 de março de 2012

É preciso esperança!

O que tem o governo nacional e o local em comum? Bem pouco para uns, muito para outros, dir-se-ia.
Se olharmos para a questão das nomeações e dos muitos concursos que todos os dias pejam o Diário da República, para os contratos de serviços, de que António Borges é o último exemplo, e para a colocação de muita gente laranja em diferentes lugares da administração pública, e se descermos ao nível local e analisarmos com a devida dimensão e escala, poderemos afirmar que há muito em comum.
Para muita gente o Governo tem sido eficaz na gestão dos compromissos assumidos com a troika e a quem, para esses mesmos, tem havido coragem na tomada de posições políticas. Em termos locais nada de similar, diriam esses mesmos, olhando para o avolumar da dívida a curto prazo já muito perto dos 10 milhões de euros e para a pouca coragem em enfrentar os grande problemas que hoje se levantam às autarquias.
Podemos também fazer a comparação entre aquilo que, supostamente, causou a saída do Secretário de Estado da Energia, ou seja a afronta aos grande grupos na área da produção e distribuição de energia eléctrica, com aquilo que poderá vir a ser a política de concessões, mais concretamente da gestão e abastecimento de água no município de Estremoz e talvez possamos encontrar algum elo.
Há medida que o tempo avança, ambos os governos, por culpa de opções governativas, inconscientes dirão muitos, mas que se resume tão somente á redução da equação da arte política, como se o caminho a percorrer fosse o da desresponsabilização acusando ou perseguindo outros, esses muitos já começam a ter pouca esperança em dias melhores, e ambos mais uma vez parecem aproximar-se nas suas similitudes.
Mas que diabo, temos de ter esperança! A política não é outra coisa senão esperança. Aquela que contraria um modus operandi, muito além da igualdade de oportunidades, a esperança que faz com que os sacrifícios, individuais e colectivos, tenham razão de ser, a esperança num amanhã melhor. Parece-nos que o ponto de viragem e de voltar a ter esperança é simples, basta pensar “para pior, isto não pode ir” e construir a partir  daqui o caminho diferente daquele que trilhamos.

sábado, 17 de março de 2012

RIO+20

Em 2012 vai acontecer, no Rio de Janeiro, no mês de Junho, uma nova Conferência da ONU a que foi dado o nome de “Rio+20”. Esta conferência marca os 20 anos sobre a Conferência de 1992, também conhecida por Cimeira da Terra, e que se debruçou pela primeira vez sobre o desenvolvimento sustentável. Tal como há 20  anos, a  conferência “Rio+20” irá abordar os problemas ambientais que enfrentamos e as novas dimensões da injustiça social que eles trazem.
É verdade que nos últimos tempos a crise financeira da Europa tem sido o palco de todas as discussões e de todas as análises, eclipsando para o comum mortal a realização da referida cimeira e a importância daqueles temas e de como eles condicionam a nossa evolução e o combate á pobreza. Antes da crise, é verdade que muito se refletiu sobre os problemas ambientais, mas que hoje os diferentes meios de comunicação parecem ter deixado de lado, não percebendo que são também eles parte da origem da crise.
Temas que condicionam o futuro como as  alterações climáticas, o acesso à água, a qualidade e a quantidade dos alimentos disponíveis, a justiça ambiental, etc. estarão em discussão até lá e na própria conferência, mas que em Portugal parecem ter estado arredados da discussão.
Em 1992 a Cimeira da Terra alertou para o perigo que a vida corria se o mito do crescimento económico infinito continuasse a dominar as teorias e práticas da política económica, assim como o problema do consumismo descontrolado e irresponsável. Concluiu-se que os ciclos de reposição de recursos naturais estavam a ser destruídos, sendo que umas das consequências seria a alteração do clima, que afetaria de forma ainda mais marcante os mais pobres, ampliando as injustiças sociais.
Quando países como o EUA, um dos maiores poluidores mundiais, se recusam a assumir o compromisso de redução de emissões que produzem aquecimento global, e a ONU não tem força para que assim não seja, parece-me que está tudo dito e leva ao descrédito daquilo que deveria ser a principal preocupação de todos, a de manter o planeta em estado de equilíbrio.
Daí que a próxima conferência seja de enorme importância, e onde inovações na abordagem ambiental vão ser discutidas, resumindo-se ao conceito de economia verde, qual é a posição de Portugal na Conferência “Rio+20” sobre estes temas? Para já não sabemos, porque a discussão, se tem existido,  tem ficado presa nas salas dos especialistas, não chegando à base da pirâmide e ao cidadão “mais comum”.
O País deveria ter uma estratégia coletiva, resultado de uma ampla discussão em torno da temática e não somente a posição de uns quantos especialistas, que os representantes governativos assumirão em função daquilo que se prevê seja o quadro financeiro e económico do País, e não de um verdadeiro desenvolvimento sustentável e da minimização das injustiças sociais.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Portugal merecia outro Presidente

Para aqueles que como eu achavam que este não era o Presidente da República que Portugal merecia, porque ainda merecemos um Presidente em condições, Cavaco veio confirmar tal análise.
Um presidente que de queixa da falta de solidariedade do Primeiro-Ministro e de que este violou a Constituição da República Portuguesa ao não o informar sobre o PEC IV e não o demite, é solidário com a violação da Constituição. Não é o Presidente da República que jura cumprir e fazer cumprir a Constituição? A reposta é sim, logo temos aqui duas situações. A primeira
Cavaco foi conivente com a violação da Constituição ao não demitir Sócrates e viola também ele o seu juramento. A segunda, decorrente da primeira, Cavaco devia demitir-se por não ter feito cumprir a Constituição.
O Presidente da República que deveria ser, e sabemos que ele queria ser, o Presidente do inconformismo e da esperança, teve pelo menos o condão de deixar todos aqueles que nele não votaram cientes de que fizeram a escolha certa. Não por votarem no candidato A ou B, mas por não terem votado nele.
Portugal merecia outro Presidente.

segunda-feira, 12 de março de 2012

OS MANSO(S)

Este é um texto retirado do blog
que descobri través de um mail, dos muitos que felizmente recebo, do movimento "Cidades Pela Retoma". É um exemplo de como poderemos sair da crise onde nos encontramos mergulhados. Sem mais comentários!
"O episódio não merece, por si só, grande explanação. A diretora da Unidade Local de Saúde da Guarda nomeou o marido como auditor interno daquela unidade; dois dias depois, publicou uma nota em que se lê: "Para assegurar todos os critérios de transparência que se exigem a uma instituição e a dirigentes de cargos públicos, a designação do administrador hospitalar Francisco Pires Manso como auditor interno da ULS Guarda foi hoje revertida, embora a sua designação tenha cumprido escrupulosamente os requisitos legais.”

O que terá ocorrido naqueles dois dias de intervalo entre nomeação e demissão para que a “transparência" tenha sido erigida a valor a ter em conta e para que um tal “ato devido” (nas palavras do ministro da Saúde) fosse devidamente praticado?

Mas que se trata de gente que não tem noção já o sabíamos desde que, na campanha eleitoral das “Europeias 2004”, a dita senhora Manso afirmou, referindo-se a alguém da envergadura de António Sousa Franco: "À frente da lista do PS temos um homem sem categoria. E não é por lhe faltar alguma coisa em termos físicos." Classe pura!"

Cidade e a Crise

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Um pássaro numa gaiola canta de alegria ou de lamento?

Há frases que nos deixam a pensar. Frases na maioria das vezes banais mas que encerram um significado, e até uma filosofia, que depois de dissecadas são autênticas lições e princípios de vida.
Uma dessas frases que me deixou a pensar foi-me dita de forma metafórica, como acontece na maioria dos casos em que as frases encerram significados que se aplicam á vida. A dita  frase foi a seguinte: “quando prendo um pássaro numa gaiola, não sei se canta de lamento se de alegria”.
A mania que o temos de ter junto de nós as coisas belas, retirando-as dos seus lugares próprios, pode retirar toda a beleza a tais coisas. Aplicando-a á natureza, e ás aves, Ao queremos trazer para dentro de casa, por exemplo, um pássaro, cujo lugar natural é ao ar livre, acabamos por aprisionar a verdadeira natureza não a deixando fruir no seu espaço “natural”. O lugar do pássaro é ao ar livre, onde pode esvoaçar, cantar com alegria e onde pela primeira vez o vimos, sendo que achamos que tendo-o junto de nós, domesticado com comida e água, o torna mais feliz. Não, ele não é mais feliz por isso. Acho até que todos perdem. Perde a ave que não está feliz, bem pelo contrário, e perdem o carcereiro que deixou de ver uma ave feliz em plena natureza, embora julgando que pelo seu cantar e por lhe fornecer comida e água ela está feliz. Há alguém que goste de estar preso? Penso que não.
Se aplicarmos esta frase ao ser humano, então a multiplicidade de situações ao longo da vida são tantas, que seria uma enciclopédia nunca finalizada, a dissertação e a aplicação daquela frase a cada uma das situações, mas aplicada no geral, é tal e qual como se a aplicássemos a qualquer ser vivo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Os outros

Os outros são uma figura, embora de muitos rostos, sem rosto. Quando há que culpabilizar alguém, a culpa é sempre dos outros. Sejam estes outros o anterior executivo, ao mercados, a conjuntura, etc.
Todos conhecem pelos menos um responsável político que nunca tem culpa de nada daquilo que aparece errado, porque essa é dos outros.
Estes campeões da vida são sempre vítimas  de todos. Se for um autarca, principalmente presidente de câmara, a culpa é do Governo ou de um anterior executivo. Para o Primeiro-Ministro a culpa é do anterior executivo, dos mercados, da conjuntura..de alguém. Um dia estes também serão os outros e continuamos assim neste circulo vicioso.
Há ainda uns outros, que no principio eram do melhor que existia porque foram escolhidos pelo “chefe”, mas que com o tempo servirão para desculpar as asneiras de quem manda e passam a ser também daqueles que só servem para atrapalhar as boas práticas do chefe. Embora quem os escolheu soubesse desde sempre, que tal como ele, a incapacidade era a sua melhor qualidade.
A incapacidade de olhar para si mesmo e analisar que é responsável pelo sucesso ou fracasso não é para todos, porque afinal existem sempre…os outros.
Tudo serve para explicar a incapacidade, muitas vezes até uns quaisquer deuses, que juntado a sua força à capacidade destruidora dos outros, são terríveis na destruição daquilo que são os grandes objectivos de quem nunca tem culpa.
As decisões erradas doem, mas o que mata não é a decisão antes a incapacidade de ver que a decisão foi a errada e atirar para os outros, os tais que são sempre os maus da fita, as culpas. A culpa é sempre dos outros.
Estas são pessoas de visão limitada, que facilmente julgam, não analisam e não assumem responsabilidades e atirar para os outros a culpa não resolve os problemas.
Quando se usa este tipo de discurso (quem não conhece um responsável político que não o usa) tem-se uma visão muito limitada, até do mundo, e isso limita a vida e apenas se vê uma forma de resolvera as coisas, a sua própria forma de resolução, justificar com os outros.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Nova Ordem Política

Dois assuntos que parecem não ter qualquer relação entre si, foram o que me puseram a pensar sobre a sua génese, importância e, talvez presunção, mas porque não afirmar, solução. Ambos são o espelho da necessidade de uma nova ética na política, são também a mostra da necessidade de novos políticos enquadrados por outra forma de estar na vida e naturalmente na gestão da causa pública e na política.
E a que assuntos me refiro, que parecendo não estar ligados, são afinal o espelho de uma certa forma de estar em funções públicas?
Por um lado a notícia que o ECOS online divulgou de que se suspeitava que os concursos públicos abertos pelo Município de Estremoz pareciam já ter, antes mesmo da prova escrita e da entrevista aos possíveis candidatos, destinatários perfeitamente definidos e que em alguns desses concursos seriam mesmo familiares de quem exerce cargos políticos, sejam eles de eleição ou de nomeação. Se por se ser familiar de alguém que exerce cargos públicos não se deve ser prejudicado, também é verdade que não pode, nem deve, ser-se beneficiado.
Este é um caso único no país? Claro que não, pelo contrário. É a própria Lei, feita à medida de quem abre concursos, aos quais é dado um com aspecto de transparentes e de colocar todos os candidatos em pé de igualdade, o que não é verdade, que o permite. O que está mal em primeiro lugar, é a Lei. Em segundo a forma como a falta de ética de quem exerce os cargos levam a tais situações.
O outro assunto que se relacionam com o anterior é ao que parece a catadupa de nomeações feitas pelo Governo, em números exagerados, quando fecha a porta a novas entradas na função pública de forma a controlar custos e quando pede aos portugueses sacrifícios que muitos já não conseguem aguentar.
E que solução poderemos ter? Mudar de políticos só por mudar, sem alterar a lei a nada levaria certamente, pese embora novos políticos com outra forma de ver a coisa pública pudessem amenizar o actual estado das coisas. Mudar a lei será o primeiro passo de forma a tornar transparente os concursos públicos e as exageradas nomeações para cargos políticos. Mas será suficiente? Não. Há a necessidade de “gestores” políticos com outra seriedade, que pareçam efectivamente o que são e não outra coisa qualquer. Que digam e façam o que disseram e não uma outra coisa qualquer depois de se encontrarem no poder. Políticos que defendem a causa pública e não as sua causa e a dos amigos e familiares. Precisamos de um nova ordem na política, isso sim.