terça-feira, 10 de novembro de 2009

O bobo da corte


O bobo da corte terá sido o antecedente do palhaço, sendo que hoje ambas as figuras se confundem sendo uma e única pessoa. O bobo da corte, bufão, bufo ou simplesmente bobo é o nome dado ao “lacaio” encarregado de entreter e que procurava, em tempos de monarquia tal como hoje, agradar ao “chefe”.
Da definição plasmada no dicionário retira-se: Bobo, adj. m. (do lat. balbus). Tolo; Pateta. S.m. 1. Indivíduo normalmente de físico defeituoso que divertia príncipes e reis. 2. Indivíduo tolo, parvo. 3. Pessoa que profere disparates.
A figura do bobo teve origem no Império Bizantino e no fim das cruzadas tornou-se figura comum nas cortes da Europa. Vestia, tal como hoje se veste o novo bobo, com roupas espalhafatosas.
O bobo serve para divertir, canta, toca algum instrumento e é, geralmente, o cerimonial das festas. Tal como na época da monarquia o bobo tem língua afiada e diz aquilo, que não tendo coragem, o “chefe” gostaria por vingança pessoal de dizer, isto porque ao bobo tudo é permitido sem que dele façam caso ou o levem a sério.
Com má-língua fala sobre uma realidade que desconhece, revelando as discordâncias e expondo as ambições do “chefe”. É um indivíduo de grotesca figura.
O bobo adora ser bobo. Sempre que o bobo abre a boca, sem entrar mosca, (e o mal repete-se “n” vezes), o povo aplaude, mesmo sem entender o tamanho da calamidade pronunciada.
O bobo adora, actualmente com recursos a novas tecnologias (os bobos de antigamente evoluíram, também mais faltava que não houvesse alguma evolução), abordar falaciosamente o presente, babando de ganância e avidez pela faculdade que se outorga para delapidar o bem comum. E no meio deste arraial de inépcia e ignorância o bobo gostaria que o levassem a sério sendo um escarro desconhecedor da decência e da honra.
O “grande” bobo auto promove-se, não só em frente do espelho, do alto dos palcos que todos os dias inventa para mostrar a sua incapacidade, mas também em frente da Câmara.
Nas peças escritas por Shakespeare, o bobo é figura recorrente, sendo ingénuo e inconsequente, porém de língua afiada, que só serve para insultar e fazer comentários ásperos geralmente desprovidos de verdade.
Na Roma decadente não havia banquete, onde depois das dançarinas, dos acrobatas, dos macacos amestrados vinham os bobos - os gelotopoios, que, em grego, significa os homens que fazem rir a sociedade.
Na Idade Média, o Bobo, com as suas vestes multicores, composta por um saio (esta é a parte efeminada do bobo) de guizos pendentes e gorro divertia, escarnecendo e lacerando reputações e honras, e alimentava injustiças.