quarta-feira, 22 de maio de 2013

Havemos de lá chegar!


Quantas vezes não ouvimos a expressão “O  Estado não cumpre” ou “O Estado é o primeiro a não cumprir”. Sempre que há a necessidade de culpar uma “entidade” abstrata lá vem o Estado com as suas largas costas a ser responsabilizado.

Só que há aqui um “pequeníssimo” problema em que se confundem estado e governo. Não é objetivo neste escrito passar pela evolução da definição de “Estado” desde tempos da antiguidade clássica até ao que hoje se define como o Estado Moderno.

O Estado somos todos nós. E o Estado, leia-se “todos nós”, é efetivamente culpado pela sua não participação cívica e de deixar chegar as coisas a momentos de enorme entropia política.

A nossa passagem de responsabilidades para outros, em termos coletivos de decisão, é sempre mais fácil que uma participação ativa. Um exemplo de participação, muito além dos movimentos independentes, somente com objetivos políticos locais como acontece entre nós, é a Noruega. Este país com cerca de 4,5 milhões de habitantes, quando analisado sob o ponto da participação cívica pode induzir em erro sobre o número total de residentes naquele território, e isto porque recorrendo ao número de sócios e voluntários ativos nas Organizações Não Governamentais (ONG), e que ultrapassam os 10 milhões, poderíamos ser levados a pensar que era este o número de habitantes, mas não. Cada habitante da Noruega participa ativamente em 2 ou 3 ONG e faz também desta forma, não só com o investimento público, que aquele país, no ano de 2012, fosse o primeiro país em termos de Índice de Desenvolvimento Humano, tal como está especificado no Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Possivelmente são os noruegueses que estão errados e quem está certo somos nós, que no mesmo relatório ocupamos a 43.ª posição.

É assim também em termos cívicos a nossa participação, muito baixa, a não ser que de 4 em 4 anos apareçam uns movimentos eleitorais, que diga-se também são necessários e uma forma de participação ativa embora com características muito próprias.

Se esta situação se devia alterar? Claro que sim. Mas avançar para uma participação num movimento informal, ou para uma ONG, que discuta a sociedade local em períodos pré-eleitorais será com certeza aproveitado por uns quantos, amantes da inércia, para o colar erradamente a um movimento político. Enfim, é o “Estado” que temos. Devemos desistir enquanto povo? Não. Havemos de lá chegar!