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Notas soltas de Manuel Castells

[Notas soltas sobre intervenção de Manuel Castells , 15 de Abril, Univ. México, " Comunicação e Poder ". ( http://www.facebook.com/event.php?eid=163678710356705 )] Retirado de:   http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/57568.html Castells dixit Sobre o poder "Quem está no poder tem a capacidade de organizar as forças directoras em torno das suas ideias. Onde há poder, há sempre contra-poder! Onde há dominação, há resistência (dinâmica social). As instituições da sociedade são uma mescla dessas relações (compromissos e negociações entre actores) e assim determinam as nossas vidas". "A informação e comunicação foram sempre fonte de poder e contra-poder, de domínio e de mudança. O controlo da comunicação e informação é um espaço essencial quando se formam relações de poder". "Os processos de construção mental desenvolvem-se à volta das emoções (que determinam nossos comportamentos) ". "As redes de construção poder (complexas e m...

Pensar a militância

Está eleito o novo secretário-geral do Partido Socialista tendo a escolha da maioria dos militantes que votou recaído em António José Seguro, o desfecho era esperado e não causa grande surpresa. O preocupante nestas eleições foi o número de votantes, cerca de 35 mil, que correspondem grosso modo a 30% dos militantes do PS. Quando em causa estava a eleição do secretário-geral do maior partido da oposição, num acto em que não havia lista única, votarem somente 30 % dos 116 mil militantes do partido, o que deve ser motivo de reflexão. Numa eleição em que o PS procura um novo caminho depois de 6 anos de governo os militantes alhearam-se deste acto? Os militantes estão insatisfeitos com a forma de actuação do PS e afastaram-se da militância? Poderíamos continuar a colocar uma série de questões e a todas elas poderíamos ir buscar uma resposta para as interrogações ou para o “ses” de tão baixa participação. A real resposta pode ser muito mais profunda que a desilusão de uns quantos e o afa...

Discussão não é traição

Discussão e traição, embora com fonia semelhante, têm significado muito diferente e nem complementares são. Não alinhar pelo mesmo diapasão e gostar de discutir os assuntos, chegando desta forma a conclusões muito mais ricas, não pode em política ser sinónimo de traição, muito menos do princípio democrático. A democracia é isso mesmo. Discutir e cada um argumentar o melhor que conseguir para obter, através de um processo participativo, o melhor resultado. Estar todos de acordo, cultivando o culto do líder não é o melhor caminho. Não, definitivamente não é. Como estaríamos hoje se Mário Soares ou Álvaro Cunhal, para citar só estes dois nomes, tivessem prestado  culto a António Oliveira Salazar ou Marcelo Caetano? Estes dois políticos e muitos outros que no Estado Novo quiseram discutir política com o status quo são traidores do espírito democrático por terem discordado da prática então existente? Então porque tentam alguns confundir alguns peões, servos de pessoas e não de...

Acreditar

A estrutura organizativa e de gestão, quer nacional quer local, está assente nas organizações políticas, leia-se partidos políticos. Estas estruturas têm hoje uma imagem de descrença generalizada por parte dos cidadãos. Ética e dignidade são conceitos que devem ser devolvidos á actividade política-partidária. É no interior dos partidos que estes conceitos mais deviam ser respeitados e onde as discussões deveriam assumir carácter político e não pessoal. A democracia, mesmo no interior dos partidos, não é, nem pode ser, só para elites. É um regime de homens comuns para homens comuns. Em mais de 25 anos de militância partidária tenho assistido a sucessivos apelos em prol da discussão salutar e da renovação de ideias e ideais, assim como de novas atitudes que parecem ter grandes dificuldades em chegarem. Há uma sempre crescente vontade de mudança, não de pessoas mas de ideias e atitudes   e acredito que é ainda possível, porque não dizer necessário, uma ampla renovação de p...

A Força das Ideias Políticas

Depois do resultado das eleições legislativas e da consequente demissão do secretário-geral do Partido Socialista vai haver eleições para   a nova equipa. O processo democrático é salutar, reaviva a democracia e, infelizmente só de tempos a tempos, apela-se á participação dos militantes. Um partido não é um grupo de amigos, antes um conjunto de pessoas que militam e defendem ideologia idêntica e que discutem e assumem posições políticas, não as confundindo com posturas pessoais. Deveria ser assim, mas nem sempre é. Muitas vezes, se não a maioria dela, no interior dos partidos persiste uma grande confusão daquilo que é uma discussão de ideias (salutar) com questões de índole pessoal. Bato-me, e continuarei a fazê-lo enquanto achar que vale a pena continuar a lutar por essa postura, pela democratização da discussão política no interior dos partidos e em especial daquele onde milito. Onde aqueles que foram escolhidos pelos seus pares devem manter uma postura de abertura e de par...

Porque será?

Terminou mais um acto eleitoral. Os resultados são por demais conhecidos e espelham o que se esperava. Reflectiram a análise que havia feito, e reforçaram o que disse a um amigo numa sexta-feira de manhã á volta da mesa, quando tomávamos café. Embora ele discordasse disse-lhe que o PSD ganharia ao PS por cerca de 10%. Mais uma vez, lamentavelmente, tive razão. Não é a primeira e não deverá ser a última, mas o que me deixa pensativo é o ter razão sempre antes do tempo. Depois é irrelevante, já não vale de nada. Mas não foi por isso que estou a escrever estas linhas. São apenas para uma pequena análise de resultados e de apoios. Quatro Presidentes de Câmara, eleitos em listas de movimentos independentes no Alentejo, apoiaram José Sócrates. Em 3 desses Municípios o PS ganhou (Alandroal, Redondo e Sines) e somente em Estremoz o PS perdeu. O Partido socialista teve menos 2220 votos relativamente às legislativas de 2005. Mesmo contando com o apoio de Luís Mourinha o Partido Socialista ...

Esquerda

Está perto mais um acto eleitoral para a eleição directa dos deputados à Assembleia da República, e de forma indirecta para a escolha do Primeiro-Ministro e do Governo de Portugal. Estas eleições acontecem rodeadas de uma crise económica e financeira e assentes no debate da ajuda externa que o País solicitou. Mas o Portugal de hoje tem alguma coisa a ver, por exemplo,   com o Portugal da segunda metade do Século XX? Nos anos 50 e 60 o País era atrozmente   desigualitário. Ao longo destes 37 anos de democracia o País mudou. Mudou, e muito, e com ele fomos percebendo que nenhum País pode desenvolver-se e ser feliz se a grande maioria dos seus concidadãos forem pobres. Mesmo sabendo-se hoje em que há novas formas de pobreza, que pobres sempre haverá, a preocupação com as desigualdades sociais deve ser uma das grandes preocupações do novo Governo, assim como a valorização do mérito. A redução das desigualdades sociais deve ser um dos pilares do novo executivo, mas com medidas ...